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Morte de Neto Araújo é a quarta de um ex-vocalista da Cavaleiros do Forró em 20 anos

Cantor de 42 anos foi encontrado sem vida pela esposa em casa, em Pendências (RN), após temporada intensa de shows no São João; banda acumula perdas desde 2005

O forró nordestino perdeu mais um nome marcante. Neto Araújo, de 42 anos, ex-vocalista da Cavaleiros do Forró e, mais recentemente, cantor da Collo de Menina, morreu na tarde desta quinta-feira (2), em Pendências, no Rio Grande do Norte, sua cidade natal. Ele foi encontrado sem vida pela esposa dentro da própria residência. O empresário da banda Collo de Menina, Bervan Morais, confirmou ao canal É Hit que a causa da morte foi um infarto fulminante. A Polícia Civil informou que investiga o caso e aguarda o laudo pericial para confirmar oficialmente as circunstâncias do falecimento.

Segundo Morais, Neto estava em casa aproveitando alguns dias de descanso após uma maratona de 22 shows durante o período junino. A banda já havia programado uma apresentação no Piauí para esta sexta-feira (3) quando os integrantes receberam a notícia da morte do cantor. O velório foi aberto ao público no Ginásio Poliesportivo Otto Bezerra de Medeiros, em Pendências, ainda na noite de quinta-feira, e o sepultamento foi realizado nesta tarde no Cemitério São Francisco, na mesma cidade.

Uma carreira construída no forró eletrônico

Natural de Pendências, Neto Araújo ganhou projeção nacional a partir de 2004, quando passou a integrar a Cavaleiros do Forró, uma das bandas mais tradicionais do forró eletrônico nordestino. Em sua primeira passagem pelo grupo, gravou sucessos como “Não Pegue Esse Avião” e “Mar de Doçura”. Em 2005, ainda durante esse período, assumiu os microfones da Collo de Menina, onde eternizou a música “Voltou Pra Ele”, um dos maiores hits da história da banda. Ao longo dos anos, fez ainda uma segunda passagem pela Cavaleiros entre 2019 e 2025, retornando ao grupo pela terceira vez em novembro do ano passado — cadeira que ocupava até sua morte.

O companheiro de banda Matheus Leitte foi um dos primeiros a lamentar a perda nas redes sociais: “Acordar com um bom dia desses, meu irmão. Você tava tão feliz.” A Collo de Menina também prestou homenagem, lembrando que o cantor foi “um artista apaixonado pela música, um companheiro querido e alguém que deixou sua marca através do talento, do sorriso e da alegria que levava por onde passava.” Cantores como Xand Avião e Henry Freitas, além das bandas Gatinha Manhosa e Grafith, também se manifestaram. A Prefeitura de Pendências decretou luto e destacou a importância do artista para a cultura local.

Quarta morte de um ex-vocalista em 20 anos

A partida de Neto Araújo marca a quarta perda de um ex-vocalista da Cavaleiros do Forró desde 2005, em um histórico de tragédias que chocou o meio musical nordestino ao longo de duas décadas.

A primeira grande perda ocorreu em 7 de março de 2005, quando o vocalista Inácio Alexandre e o guitarrista Edivan Paulo da Silva morreram em um grave acidente envolvendo dois ônibus na BR-304, no Rio Grande do Norte. A banda seguia para cumprir agenda de shows quando o acidente aconteceu. Foi justamente após essa tragédia que Neto Araújo foi convidado pelo empresário Alex Padang para assumir os vocais do grupo.

Em junho de 2017, a música nordestina sofreu mais um golpe. Eliza Clívia, que havia passado dez anos na Cavaleiros do Forró (de 2003 a 2013), morreu aos 36 anos em um acidente de trânsito em Aracaju, Sergipe. Ela havia deixado o grupo apenas quatro meses antes para seguir carreira solo. Seu marido, o baterista Sérgio Ramos, também morreu na colisão.

Dois anos depois, em maio de 2019, Gabriel Diniz perdeu a vida aos 28 anos na queda de um avião de pequeno porte também em Sergipe. O cantor havia integrado a Cavaleiros entre 2010 e 2011 e, em carreira solo, havia alcançado projeção nacional com o hit “Jenifer”.

Com a morte de Neto Araújo, a Cavaleiros do Forró acumula a perda de quatro ex-vocalistas — Inácio Alexandre, Eliza Clívia, Gabriel Diniz e Neto — além do guitarrista Edivan Paulo da Silva, todos personagens fundamentais da história de uma das bandas mais tradicionais do forró eletrônico brasileiro.

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