Justiça aponta simulação de crime para receber R$ 1,5 milhão em seguros; membro foi encontrado dentro da mochila da própria vítima
Um caso chocante envolvendo um servidor público na Bahia voltou a repercutir após a conclusão definitiva do processo na Justiça. O episódio, ocorrido em 2019, envolve a suspeita de que o homem teria amputado o próprio pé em uma tentativa de receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros.
O servidor, identificado como Vanderley dos Santos Gomes, que atuava no município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano, afirmou inicialmente ter sido vítima de um sequestro seguido de agressão. Segundo a versão apresentada à polícia, ele teria sido rendido por criminosos, levado para uma estrada e submetido à amputação do membro.
Durante a investigação, um detalhe chamou a atenção das autoridades e passou a ser decisivo no caso: o pé amputado foi encontrado dentro da própria mochila do servidor, a cerca de 350 metros do local onde ele foi socorrido.
Além do membro, estavam no mesmo objeto pertences pessoais que ele alegava terem sido roubados, como celular e relógio. A descoberta contrariou diretamente a narrativa apresentada inicialmente e passou a enfraquecer a versão de assalto.
Ao longo do processo, a Justiça destacou uma série de inconsistências no relato do servidor:
Outro ponto considerado relevante foi a contratação de quatro seguros de vida poucas semanas antes do ocorrido, o que levantou suspeitas de planejamento financeiro.
Perícias médicas também indicaram que o tipo de amputação não era compatível com a versão de agressão apresentada, sugerindo conhecimento técnico no procedimento.
O servidor foi condenado por estelionato em primeira e segunda instâncias. A pena inicial de dois anos de reclusão foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa.
A defesa tentou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a condenação foi mantida e considerada definitiva, sem possibilidade de novos recursos.
Segundo especialistas envolvidos no processo, o caso ganhou destaque por envolver investigação integrada entre seguradoras, que identificaram inconsistências por meio do compartilhamento de informações.
O episódio segue sendo lembrado como um dos mais incomuns já registrados em disputas envolvendo fraudes em seguros no país.
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