A governadora do Acre, Mailza Assis, afirmou que a empresa responsável pela construção da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, será responsabilizada pelo desabamento registrado no início da noite de sexta-feira (5). A estrutura, que ligava áreas importantes do município sobre o Rio Iaco, havia sido interditada preventivamente um dia antes, após a identificação de problemas estruturais.
De acordo com o governo estadual, a obra ainda estava dentro do prazo legal de garantia. A ponte foi executada pela Construtora Cidade e custou cerca de R$ 36 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado informou que pretende acionar a Justiça para obrigar a empresa a reparar, reconstruir ou apresentar uma solução provisória para a travessia, sem que os custos recaiam sobre a população.
O desabamento deixou quatro pessoas feridas. Parte das vítimas estava na estrutura no momento em que o trecho cedeu. Segundo relatos divulgados pelo governo, um dos feridos contou que havia sido chamado para mostrar o ponto onde existia uma fissura na ponte. Enquanto o grupo observava a falha, a estrutura desabou e as pessoas caíram em meio aos escombros e ao rio.
A ponte já estava interditada para veículos e pedestres desde a quinta-feira (4), após vistoria técnica e recomendação de bloqueio por segurança. Mesmo assim, algumas pessoas acabaram acessando a área antes do colapso. O governo afirma que a interdição evitou uma tragédia ainda maior, já que a ponte era utilizada diariamente por moradores, motoristas e trabalhadores da região.
Como foi o desabamento
O colapso aconteceu no começo da noite, quando parte da estrutura da ponte cedeu sobre o Rio Iaco. Imagens e relatos apontam que o rompimento ocorreu de forma repentina, derrubando parte do tabuleiro e deixando escombros no leito do rio.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Defesa Civil, Polícia Civil, Deracre e Secretaria de Saúde foram mobilizadas para o local. Os feridos receberam atendimento inicial em Sena Madureira, e os casos mais graves foram transferidos para Rio Branco.
Após a queda, o Corpo de Bombeiros também interditou a navegação no trecho atingido do Rio Iaco. A medida foi adotada por causa do risco provocado pelos destroços submersos e pela possibilidade de instabilidade no restante da estrutura.
O que pode ter causado a queda
A principal hipótese apresentada até agora pelo governo do Acre envolve o fenômeno conhecido como “terras caídas”. Trata-se de um processo de erosão nas margens dos rios, comum em áreas amazônicas, especialmente em períodos de grande variação no nível das águas.
No caso do Rio Iaco, o governo afirma que as cheias intensas e as secas severas podem ter contribuído para a instabilidade do solo nas margens. Com a perda de sustentação do terreno, pilares ou fundações próximas ao barranco podem ser afetados, comprometendo a segurança da estrutura.
Apesar dessa hipótese, ainda não há uma conclusão oficial sobre a causa do desabamento. A Polícia Civil informou que equipes de perícia e engenharia foram acionadas para analisar os vestígios, verificar a estrutura remanescente e apurar se houve falha técnica, negligência, imperícia, problema de projeto, execução inadequada, manutenção insuficiente ou influência exclusiva de fatores naturais.
Por que a construtora pode ser responsabilizada
Segundo o governo estadual, a Ponte Frei Paolino Baldassari foi contratada na modalidade integrada. Nesse tipo de contrato, a empresa assume a responsabilidade pelo projeto básico, pelo projeto executivo e pela execução da obra.
Na prática, isso significa que a construtora não teria sido responsável apenas por construir a ponte, mas também por definir as soluções técnicas adotadas no projeto. Por isso, o governo sustenta que caberia à empresa prever as condições do solo, o comportamento do Rio Iaco e os riscos associados ao fenômeno de erosão nas margens.
A Procuradoria-Geral do Estado também citou o artigo 618 do Código Civil, que prevê responsabilidade do empreiteiro pela solidez e segurança de construções consideráveis durante o prazo de cinco anos. Como a ponte foi entregue recentemente, o governo entende que a obra ainda está dentro do período de garantia.
Entre as medidas em estudo estão:
- pedido de tutela antecipada para obrigar a empresa a reconstruir a ponte ou oferecer solução temporária de travessia;
- cobrança para que a construtora preste assistência aos feridos;
- possível bloqueio cautelar de bens no valor do contrato;
- apuração de responsabilidades civis, administrativas e, se for o caso, criminais.
Estado de saúde dos feridos
Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. Uma das vítimas, Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, foi internada em estado gravíssimo em Rio Branco, com traumatismo cranioencefálico grave e fratura pélvica. Ele passou por cirurgia e seguia sob ventilação mecânica.
Ednei Muniz dos Santos, de 51 anos, apresentou quadro estável, com fratura no antebraço. Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, também estava estável, com fratura no fêmur. Já Weverton Murieta, de 34 anos, recebeu alta após avaliação médica e atendimento dos ferimentos.
A governadora afirmou que a prioridade inicial do Estado é garantir atendimento às vítimas e apoio às famílias. Ao mesmo tempo, disse que todas as providências serão tomadas para identificar responsabilidades e restabelecer o acesso da população.
Impacto para Sena Madureira
A queda da ponte afeta diretamente a mobilidade em Sena Madureira, principalmente para moradores do Segundo Distrito e pessoas que dependiam da travessia para trabalhar, estudar, acessar serviços públicos e transportar mercadorias.
Além da interrupção do tráfego sobre a ponte, a queda dos escombros também comprometeu a navegação no Rio Iaco, uma via importante para comunidades ribeirinhas. O governo informou que iniciou estudos técnicos para definir a retirada segura dos destroços e avaliar alternativas para restabelecer a circulação.
Investigação continua
A Polícia Civil do Acre abriu investigação para apurar as circunstâncias do desabamento. Peritos criminais, investigadores e uma equipe técnica de engenharia foram mobilizados para preservar provas, analisar a estrutura e produzir laudos.
Até a conclusão da perícia, o motivo definitivo da queda ainda não pode ser cravado. O que existe, neste momento, é uma combinação de fatores sob investigação: erosão nas margens do Rio Iaco, possível comprometimento estrutural, responsabilidade técnica da construtora e fiscalização da obra.
O governo afirma que vai colaborar com os órgãos de controle e responsabilizar os envolvidos caso sejam confirmadas falhas na execução, no projeto, na manutenção ou na gestão da segurança da ponte.

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