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Anvisa define preço máximo de caneta emagrecedora brasileira e abre nova fase no mercado da semaglutida

Medicamento Ozivy, fabricado pela EMS, é a primeira caneta nacional de semaglutida sintética aprovada no país; teto inicial foi fixado em R$ 803,44, sem ICMS, mas valor final nas farmácias ainda será definido pela empresa

Foto: Pavel Danilyuk/Pexels

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária definiu o preço máximo para o Ozivy, primeira caneta brasileira de semaglutida sintética autorizada no país. O medicamento, fabricado pela EMS, usa o mesmo princípio ativo do Ozempic e chega ao mercado em um momento de grande procura por tratamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.

O teto regulatório foi fixado em R$ 803,44 para embalagens com uma caneta na dosagem de 1,34 mg/ml. Para as versões com duas unidades, o valor máximo informado chega a R$ 1.606,88. Os preços, no entanto, não incluem a cobrança de ICMS, imposto estadual que varia conforme cada unidade da federação.

Apesar da definição do limite de preço, isso não significa que o medicamento será vendido exatamente por esse valor nas farmácias. A EMS ainda será responsável por definir o preço final de comercialização. A farmacêutica já sinalizou que pretende colocar o produto no mercado com valor cerca de 30% abaixo das principais opções disponíveis atualmente.

A definição do preço é uma etapa importante para a chegada do medicamento às prateleiras. Antes disso, a Anvisa já havia aprovado o registro do Ozivy, em maio, após análise técnica de segurança, eficácia e qualidade. O pedido de registro havia sido apresentado em 2023.

Medicamento é indicado para diabetes tipo 2

Embora a semaglutida tenha se popularizado no debate público por seus efeitos associados à perda de peso, o Ozivy foi aprovado, neste momento, para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. A indicação prevista é como complemento à dieta e aos exercícios físicos, seja em monoterapia, quando a metformina não é indicada, seja em associação com outros medicamentos para controle da doença.

Esse ponto é essencial para evitar confusão entre o uso popularmente associado ao emagrecimento e a indicação oficialmente aprovada em bula. Qualquer uso fora da indicação aprovada deve ser avaliado individualmente por um médico, considerando riscos, benefícios e histórico de saúde do paciente.

A caneta será de aplicação semanal e, segundo a Anvisa, exige armazenamento refrigerado entre 2 °C e 8 °C antes e depois do início do tratamento. A semaglutida sintética também está sujeita à prescrição médica em duas vias, como ocorre com medicamentos da classe GLP-1.

O que é o Ozivy?

O Ozivy é uma versão sintética de semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos já conhecidos no mercado internacional. Apesar de ser frequentemente chamado de “genérico do Ozempic”, a própria Anvisa esclarece que o produto não é classificado como genérico.

Na regulação brasileira, medicamentos biológicos não possuem genéricos tradicionais. Por isso, o Ozivy foi registrado como medicamento novo, na categoria de análogo sintético de um produto biológico.

A aprovação ocorre após o fim da patente da semaglutida no Brasil, o que abriu espaço para a entrada de novos concorrentes no mercado. A EMS saiu na frente ao obter o primeiro registro de uma caneta nacional baseada nessa substância.

Por que o preço importa?

A chegada de uma versão nacional pode aumentar a concorrência em um segmento dominado por medicamentos de alto custo. Nos últimos anos, as canetas de GLP-1 ganharam destaque tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto em terapias específicas para obesidade, mas o preço elevado ainda limita o acesso de muitos pacientes.

Com o teto definido, o mercado aguarda agora o valor efetivo que será praticado pela EMS. Se a promessa de preço menor se confirmar, o Ozivy pode pressionar concorrentes e ampliar a disputa comercial entre farmacêuticas.

Ainda assim, especialistas alertam que a redução de preço não elimina a necessidade de acompanhamento médico. Medicamentos à base de semaglutida podem causar efeitos adversos e não devem ser usados sem avaliação profissional.

Mercado deve ficar mais competitivo

A entrada do Ozivy marca uma mudança importante no setor farmacêutico brasileiro. Além da EMS, outros pedidos de medicamentos à base de semaglutida seguem em análise na Anvisa, o que indica que a disputa pelas chamadas canetas emagrecedoras deve se intensificar nos próximos meses.

Para pacientes, médicos e farmácias, a expectativa é de maior oferta e possível queda gradual nos preços. Para a indústria, o movimento representa o início de uma nova fase no mercado dos medicamentos GLP-1, que se tornou um dos mais cobiçados da saúde mundial.

Mesmo com o avanço regulatório, a recomendação permanece: semaglutida não deve ser tratada como solução estética ou de uso livre. O medicamento exige diagnóstico, prescrição, acompanhamento e orientação profissional.

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