Em um novo e intenso episódio da guerra que já dura mais de quatro anos, as forças ucranianas lançaram um ataque massivo com cerca de 600 drones contra o território russo na noite de sábado para domingo (17). Autoridades russas informaram que pelo menos quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em várias regiões, incluindo os arredores de Moscou, em um dos maiores ataques aéreos não tripulados desde o início do conflito.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, as defesas antiaéreas conseguiram derrubar a grande maioria dos drones — cerca de 556 unidades durante a madrugada e outras 30 interceptadas após o amanhecer — em 14 regiões russas, incluindo o território anexado da Crimeia e áreas litorâneas no Mar Negro e Mar de Azov.
Vítimas, danos e contexto
O governador da região de Moscou relatou que três civis morreram perto da capital, com uma das vítimas sendo uma mulher atingida em sua residência, enquanto uma quarta morte foi confirmada na região de Belgorod. Pelo menos doze pessoas ficaram feridas, em ataques que causaram danos a estruturas residenciais e tiveram impacto até em áreas industriais e de infraestrutura energética.
Residências em cidades‑satélite como Khimki e Pogorelki foram atingidas, e destroços de drones chegaram inclusive às proximidades do maior aeroporto russo, o Sheremetyevo, sem, no entanto, provocar danos significativos às operações.
Reação de Kiev e retaliação russa
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky justificou os ataques como uma resposta necessária à continuidade das ofensivas russas sobre cidades ucranianas, definindo a ofensiva como “totalmente justificada” diante dos recentes bombardeios contra alvos civis e infraestrutura no território ucraniano.
Em paralelo, a Rússia também lançou uma nova onda de drones e mísseis contra alvos ucranianos na mesma noite, embora a defesa aérea de Kiev tenha relatado a destruição ou neutralização da maioria das aeronaves não tripuladas russas.
Escalada contínua e perspectiva do conflito
Especialistas em estratégia militar e inteligência ocidental classificam o uso intensivo de drones por ambas as partes como um indicativo da crescente importância desses sistemas no teatro de operações. A ofensiva ucraniana em território russo, especialmente em torno de áreas tão fortemente defendidas como a região de Moscou, representa uma escalada significativa — e um sinal de que as capacidades de alcance de Kiev continuam a evoluir.
Além da escalada militar, as negociações de paz permanecem estagnadas, em meio a divergências profundas sobre território, segurança e garantias pós‑conflito. Enquanto isso, os ataques aéreos e represálias se repetem, com um elevado custo humanitário e infraestrutura civil sob constante ameaça.

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