Uma descoberta surpreendente agitou a comunidade científica em Denver, nos Estados Unidos: uma vértebra de dinossauro foi encontrada a cerca de 230 metros de profundidade sob o estacionamento do Museu de Natureza e Ciência da cidade. O achado aconteceu por acaso em janeiro deste ano, durante uma perfuração destinada a avaliar a viabilidade de um sistema de energia geotérmica para o prédio.
A peça, com aproximadamente 6,4 centímetros de diâmetro, trata-se de uma vértebra parcial de um ornitópode, um grupo de dinossauros herbívoros bípedes que viveu há mais de 67 milhões de anos, no final do período Cretáceo. Segundo o museu, este é o fóssil mais profundo e antigo já encontrado na cidade de Denver, e o primeiro registro de um ornitópode dentro dos limites urbanos.
“É como ganhar na loteria científica”, afirmou o Dr. James Hagadorn, curador de geologia do museu. “Sabíamos que esses dinossauros existiam em partes do Colorado e Wyoming, mas não tínhamos evidências diretas em Denver… até agora.”
A descoberta foi feita durante a extração de um núcleo geológico, uma amostra cilíndrica de rochas e sedimentos usada para estudar a história do subsolo. A amostra ainda está sendo analisada, e os cientistas esperam que ela revele mais fósseis, minerais e dados sobre a geologia da região.
Apesar da empolgação, não há planos para escavar o local. “Não podemos demolir nosso estacionamento, ele é muito necessário para os visitantes”, brincou Hagadorn. “Mas agora eles podem dizer que estão estacionando em cima de um dinossauro.”
A vértebra do ornitópode já está em exibição no museu, que abriga mais de 115 mil fósseis em sua coleção. De acordo com Hagadorn, essa pode ser a primeira vez que um fóssil de dinossauro encontrado em uma amostra de núcleo é exposto ao público. Apenas dois outros casos semelhantes foram registrados no mundo.
A análise da descoberta, publicada em junho na revista Rocky Mountain Geology, também levou os pesquisadores a revisar e datar com mais precisão outros fósseis encontrados na região de Denver, como os de Triceratops, Torosaurus e até Tyrannosaurus rex. Com o uso de mapas topográficos, satélites e sistemas de informação geográfica (SIG), os cientistas conseguiram contextualizar geologicamente os achados antigos com um nível de precisão inédito.
O paleontólogo Paul Olsen, da Universidade Columbia, que não participou diretamente do estudo, destacou a importância de descobertas como essa. “É um exemplo claro de como os fósseis podem estar em lugares inesperados, inclusive no meio das cidades. Esses achados ajudam a compor um retrato mais detalhado da história do planeta e fornecem pistas valiosas sobre mudanças climáticas, extinções e a evolução da vida na Terra.”

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