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Vinted é investigada na França por suspeita de uso da plataforma em tráfico de crianças

Anúncios de brinquedos com preços milionários e descrições que incluíam idade e altura levantaram suspeitas nas redes sociais; empresa nega qualquer ligação com o crime

Imagem: Getty Images

A Promotoria de Nanterre, na França, abriu uma investigação preliminar para apurar denúncias de suspeita de tráfico de crianças associadas a anúncios publicados na Vinted, plataforma de venda de itens de segunda mão bastante popular na Europa. A apuração foi confirmada à agência de notícias France-Presse (AFP) na noite de sexta-feira (26) e foi entregue ao Escritório de Proteção de Menores (Ofmin), órgão da polícia francesa especializado em crimes contra crianças.

O caso ganhou repercussão internacional depois que internautas começaram a compartilhar prints de anúncios considerados suspeitos: brinquedos, ursos de pelúcia e bonecas vendidos por valores muito acima do mercado, com descrições que traziam dados como idade, altura, cor dos olhos e do cabelo — informações que, segundo quem denunciou, não fariam sentido para descrever um simples brinquedo. Um dos exemplos mais comentados nas redes foi um suposto boneco do Harry Potter anunciado por 30 mil euros, citado em um vídeo no TikTok que ultrapassou 112 mil curtidas desde meados de junho.

Alta-comissária para a Infância já havia alertado autoridades

Antes mesmo da abertura formal da investigação, a Alta-Comissária francesa para a Infância, Sarah El Haïry, afirmou na terça-feira (23) ter notificado a existência de “contas suspeitas de estarem envolvidas em tráfico de crianças na Vinted”, depois de já ter acionado o Pharos — plataforma do governo francês para denúncias de conteúdos ilegais na internet — e a Arcom, autoridade reguladora de comunicações do país. Dois dias depois, a responsável reagiu nas redes sociais a uma reportagem do site francês 20minutes que descrevia a troca de mensagens com um suposto vendedor de uma menina por meio de um anúncio. Ela classificou o caso de “arrepiante”, caso os fatos se confirmassem.

A reportagem, no entanto, precisou ser corrigida no dia seguinte: segundo o próprio site, o “vendedor” era na verdade um estudante de 17 anos que havia publicado o anúncio falso com o objetivo de expor supostos pedófilos que entrassem em contato — não um caso real de venda de uma criança.

Vinted nega qualquer ligação com tráfico

Procurada pela imprensa francesa, a Vinted afirmou ter tomado conhecimento dos anúncios que circulam online e disse não ter encontrado, em investigação interna, qualquer elemento que ligasse o conteúdo a atividades de tráfico de crianças. Segundo a empresa, a idade mencionada nas descrições se refere à faixa etária recomendada para o brinquedo, prática comum no setor, enquanto os preços elevados podem reflejar tanto o valor real de colecionadores quanto estratégias de negociação ou mesmo provocações de usuários. A plataforma reforçou ainda que não tolera conteúdo inadequado e que intervém sempre que identifica um anúncio suspeito, podendo colaborar com a polícia quando necessário.

Até o momento, a Promotoria de Nanterre não confirmou publicamente se alguma das denúncias recebidas tem fundamento. Vendedores apontados em vídeos virais também foram contatados pela AFP e garantiram que realmente estavam comercializando brinquedos comuns.

Acusações contra a Amazon ainda não foram confirmadas

Nas redes sociais, publicações com grande alcance ampliaram o caso, afirmando que usuários do Reddit também teriam identificado um padrão semelhante em anúncios da Amazon, com o uso de termos como “prematuro” associados a peso, altura e cor dos olhos em produtos infantis. Essas publicações chegaram a acusar a Amazon de apagar comentários sobre o tema e a Vinted de restringir a circulação de vídeos no TikTok relacionados ao caso. Até o momento, porém, não há confirmação policial de que a Amazon seja alvo do mesmo tipo de investigação aberta contra a Vinted na França.

Casos parecidos já geraram pânico nas redes antes

Episódios de suspeitas virais envolvendo grandes plataformas de e-commerce não são inéditos. Em 2020, a Wayfair foi alvo de teorias semelhantes nas redes sociais, quando usuários associaram nomes femininos usados em armários de alto valor a uma suposta rede de tráfico humano — as investigações da época não encontraram qualquer fundamento para as acusações. Casos parecidos também já atingiram o Etsy, quando fotos de pizzas vendidas por preços exorbitantes levantaram suspeitas nas redes; uma apuração interna da plataforma não identificou indício de crime, ainda que os anúncios tenham sido retirados do ar.

Por ora, a situação na Vinted segue sob investigação das autoridades francesas, sem confirmação de vítimas reais ou de qualquer ligação efetiva entre os anúncios denunciados e crimes de tráfico de menores.

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