O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás nesta quinta-feira (15) na decisão de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, ex-major do Exército condenado pelo ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. A execução continua prevista para 3 de dezembro de 2026, mas não será exibida publicamente.
Trump justificou a mudança afirmando que, embora a transmissão pudesse servir como demonstração das consequências de ataques terroristas, muitas pessoas prefeririam não assistir à morte do condenado. A declaração foi publicada na rede social Truth Social, após a proposta provocar uma onda de críticas nos Estados Unidos.
A decisão reverte o plano defendido pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que havia anunciado a intenção de permitir que o público acompanhasse o procedimento. A proposta recebeu críticas de parlamentares dos dois principais partidos, representantes das Forças Armadas e lideranças religiosas.
Trump mantém execução, mas veta transmissão
Ao anunciar a mudança, Trump afirmou que a exibição poderia funcionar como um alerta sobre as consequências de atos terroristas. Apesar disso, reconheceu que parte da população não gostaria de assistir à execução.
O presidente confirmou que Hasan será executado por um pelotão de fuzilamento na data prevista, sem transmissão ao vivo. Familiares diretos das vítimas poderão acompanhar o procedimento presencialmente, caso desejem.
A decisão não altera, por enquanto, a pena de morte imposta ao ex-major. Eventuais recursos judiciais, contudo, ainda podem afetar o cronograma.
Proposta de Hegseth provocou reação política
A ideia de transmitir a execução foi apresentada por Pete Hegseth como uma forma de demonstrar publicamente as consequências de crimes dessa natureza.
A proposta, porém, encontrou resistência inclusive entre aliados do governo. O vice-presidente JD Vance manifestou ressalvas, enquanto o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, alertou que as imagens poderiam ser utilizadas por organizações terroristas como instrumento de propaganda e recrutamento.
Críticos também questionaram a transformação de uma execução militar em um evento transmitido ao público. Entre as preocupações levantadas estavam a dignidade humana, o impacto sobre familiares das vítimas e o risco de que a transmissão fosse explorada por grupos extremistas.
Quem é Nidal Hasan?
Nidal Hasan era psiquiatra militar e atuava como major do Exército dos Estados Unidos. Em 5 de novembro de 2009, ele abriu fogo contra militares que estavam na base de Fort Hood, no Texas, antes de uma missão no exterior.
O ataque deixou 13 mortos e 32 feridos. Hasan foi atingido por policiais durante a ação e ficou paraplégico.
Em 2013, um júri militar o condenou por 13 assassinatos premeditados e 32 tentativas de homicídio. A sentença estabeleceu a pena de morte.
O caso se tornou um dos ataques mais graves registrados em uma instalação militar norte-americana e continuou gerando debates sobre segurança, terrorismo e a atuação das autoridades militares.
Execução deve ser a primeira por fuzilamento em décadas
Se realizada na data prevista, a execução de Hasan será a primeira execução militar nos Estados Unidos desde 1961 e a primeira por fuzilamento desde 1945.
A decisão de cancelar a transmissão pública encerra, ao menos por enquanto, a controvérsia sobre a exibição do procedimento. A execução, entretanto, permanece programada, sujeita a eventuais desdobramentos judiciais.

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