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KC-390 decola para socorrer a Venezuela, mas FAB ainda não pode usar seus KC-30 em missões humanitárias

Apesar de operar dois modernos Airbus A330, o Brasil enfrenta uma limitação estrutural que impede o emprego pleno dessas aeronaves em operações de transporte estratégico

KC-390 decola para socorrer a Venezuela, mas FAB ainda não pode usar seus KC-30 em missões humanitárias

Apesar de operar dois modernos Airbus A330, o Brasil enfrenta uma limitação estrutural que impede o emprego pleno dessas aeronaves em operações de transporte estratégico

Uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira decolou da Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, levando ajuda humanitária para a Venezuela, país atingido por fortes terremotos nos últimos dias. A bordo, foram embarcados bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, técnicos da Defesa Civil e da Anatel, cães treinados em buscas e cerca de 12 toneladas de equipamentos, incluindo material para montagem de um hospital de campanha. Uma segunda aeronave deve seguir para o país vizinho nos próximos dias.

A operação reabre o debate sobre uma lacuna conhecida na capacidade logística da FAB: embora o Brasil possua dois Airbus A330, batizados de KC-30, essas aeronaves não estão sendo usadas na ponte aérea humanitária. O motivo é que elas nunca passaram pela conversão completa para o padrão militar MRTT (Multi Role Tanker Transport), adotado por forças aéreas de países como Reino Unido, França, Austrália e Canadá.

Na prática, isso significa que os KC-30 brasileiros continuam operando como aviões essencialmente civis. Sem uma porta de carga ampla no convés principal, toda a carga precisa ser despachada pelos porões inferiores, em contêineres e pallets padrão da aviação comercial — o que impede o transporte de equipamentos de grandes dimensões, justamente o tipo de material mais necessário em operações de resgate e ajuda humanitária de grande escala.

Especialistas em defesa apontam que o ideal seria empregar as duas aeronaves de forma combinada: o KC-390, mais ágil e versátil, levando equipes táticas nas primeiras horas da crise, enquanto o KC-30, de maior porte, ficaria responsável pelo transporte de cargas pesadas e volumosas em etapas posteriores — reduzindo o número de voos necessários e acelerando a resposta a populações atingidas.

A discussão ganha ainda mais relevância num cenário em que crises humanitárias, desastres naturais e operações expedicionárias têm se tornado mais frequentes. Para analistas do setor, mais do que ampliar a frota — o que poderia incluir até a aquisição de outros modelos, como o KC-767 —, o desafio do Brasil é definir que perfil de capacidade estratégica de transporte o país quer ter nas próximas décadas.

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