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Ibovespa dispara e supera 209 mil pontos após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno

Bolsa brasileira bate recorde histórico, dólar cai abaixo de R$ 5 e juros futuros recuam após resultado das eleições

Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte valorização ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O Ibovespa disparou nesta segunda-feira (5), superou pela primeira vez a marca de 209 mil pontos e renovou o recorde histórico, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5 e os juros futuros recuaram de forma expressiva.

O movimento ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

No início do pregão, o Ibovespa chegou a avançar mais de 8%, ultrapassando os 207 mil pontos. Ao longo da manhã, o índice ampliou os ganhos e chegou à região dos 209 mil pontos, em um movimento que refletiu a forte reação dos investidores ao resultado eleitoral.

Dólar cai abaixo de R$ 5

O mercado de câmbio também reagiu ao cenário eleitoral. O dólar comercial chegou a ser negociado abaixo dos R$ 5, registrando queda superior a 4% no início dos negócios.

O movimento ocorreu mesmo com o dólar apresentando valorização diante de algumas moedas no exterior. A leitura predominante entre analistas é de que a queda da moeda americana no Brasil está relacionada à redução do prêmio de risco atribuído aos ativos brasileiros e à expectativa de entrada de recursos estrangeiros no mercado nacional.

Segundo economistas ouvidos após o resultado, a possibilidade de alternância no governo e a percepção de uma eventual agenda econômica mais favorável ao ajuste fiscal contribuíram para a valorização do real.

A Reuters também destacou que o desempenho de Flávio acima das expectativas das pesquisas, combinado com o avanço de aliados de direita no Congresso, aumentou a confiança dos investidores nos ativos brasileiros.

Juros futuros também recuam

Outro reflexo imediato apareceu no mercado de juros. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), usados como referência para os juros futuros, registraram quedas acentuadas, principalmente nos vencimentos mais longos.

A redução dos juros futuros indica uma diminuição do prêmio exigido pelos investidores para manter posições em títulos e ativos brasileiros. Esse movimento costuma ocorrer quando o mercado passa a enxergar menor risco fiscal ou político no horizonte.

A reação, entretanto, representa uma expectativa dos investidores. O resultado efetivo da política econômica dependerá do vencedor do segundo turno e das medidas que eventualmente forem adotadas a partir de 2027.

Ações brasileiras sobem forte

A alta não ficou restrita ao índice. Diversas empresas brasileiras registraram forte valorização tanto na B3 quanto no exterior.

Entre os destaques estiveram B3, Magazine Luiza e BTG Pactual, cujas ações chegaram a apresentar ganhos superiores a 20% durante o pregão. Ações de grandes bancos também avançaram de forma expressiva.

No exterior, ativos brasileiros igualmente registraram valorização. O ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, chegou a subir mais de 12% durante as negociações.

Petrobras também registrou alta relevante, enquanto outras empresas de grande peso no Ibovespa acompanharam o movimento positivo.

Por que o mercado reagiu dessa forma?

A principal explicação apresentada por analistas está na mudança das expectativas em relação à política econômica a partir de 2027.

Parte dos investidores interpreta a liderança de Flávio no primeiro turno e o fortalecimento de partidos de direita no Congresso como sinais de que um eventual governo do PL poderia ter maior disposição para adotar medidas de controle das contas públicas e reformas econômicas.

Essa avaliação, porém, não significa que as medidas estejam definidas ou que serão necessariamente implementadas. Trata-se de uma expectativa construída pelos agentes financeiros a partir do resultado das urnas.

O economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, avaliou que a queda do dólar está relacionada tanto à melhora na percepção de risco quanto à possibilidade de aumento do fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.

Congresso também entra na avaliação dos investidores

Além da disputa presidencial, a composição do Congresso Nacional foi considerada pelos investidores na reação desta segunda-feira.

O avanço de partidos alinhados à direita foi interpretado por parte do mercado como possibilidade de maior apoio político a uma eventual agenda de reformas e medidas de ajuste fiscal.

A avaliação é especialmente relevante porque a aprovação de mudanças estruturais depende do Congresso. Por isso, os investidores não analisam apenas quem poderá ocupar a Presidência, mas também qual será a capacidade do próximo governo de construir maioria para aprovar suas propostas.

Mercado ainda terá semanas de volatilidade

Apesar da forte alta registrada nesta segunda-feira, o cenário permanece sujeito a mudanças até o segundo turno.

A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula entra agora em uma nova etapa, com três semanas de campanha até a votação de 25 de outubro. Pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, alianças e propostas para a economia podem provocar novas oscilações na Bolsa, no câmbio e nos juros.

A reação desta segunda-feira mostra que os investidores já estão incorporando diferentes cenários para 2027 aos preços dos ativos. Ao mesmo tempo, o tamanho dos movimentos evidencia que o mercado continuará sensível a qualquer mudança nas expectativas sobre a eleição e sobre a política econômica do próximo governo.

Por enquanto, o resultado mais imediato foi uma combinação de Bolsa em nível recorde, dólar abaixo de R$ 5 e forte queda dos juros futuros, em uma reação direta dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições de 2026.

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