quarta-feira , 10 junho 2026
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Haddad afirma que governo não consegue cortar gastos sem aval do Congresso

Em entrevista à Band, ministro destacou entraves políticos para redução de gastos e defendeu a reforma tributária como principal legado de sua gestão.

Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste domingo (31) que o governo federal tem autonomia praticamente nula para cortar despesas do orçamento sem a anuência do Congresso Nacional, ressaltando as limitações políticas enfrentadas pela equipe econômica.

Durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, o titular da Fazenda afirmou que, ao contrário do que se tem apontado, o impulso fiscal no Brasil está em trajetória de queda. Haddad também rebateu críticas de que o governo estaria mantendo os gastos em alta. “Não é verdade que estamos empatando o jogo fiscal”, afirmou, referindo-se ao controle promovido pelo novo arcabouço fiscal aprovado no início da atual gestão.

Ao ser questionado sobre o desempenho das empresas estatais, o ministro citou os Correios como exemplo de desequilíbrio competitivo. Segundo ele, a estatal lida com concorrência “monstruosa”, onde empresas privadas ficam com as operações mais lucrativas, enquanto os Correios assumem os serviços deficitários. “Ficam com o filé e deixam o osso para a estatal”, afirmou.

Haddad também criticou a decisão do Congresso de liberar as chamadas bets — plataformas de apostas online — ao mesmo tempo em que rejeitou a legalização de casas de apostas físicas. “Não faz sentido aprovar jogos de massa que não geram emprego e barrar aqueles que poderiam movimentar a economia presencialmente”, comentou.

Ao ser questionado sobre o que espera deixar como maior marca de sua gestão na Fazenda, o ministro respondeu com firmeza: “a reforma tributária, diria que 200%”.

O texto da reforma, que unifica tributos sobre consumo e promete simplificar o sistema fiscal brasileiro, já foi aprovado pelo Congresso e está em fase de regulamentação. Haddad tem sido uma das principais vozes do governo na articulação política e técnica para sua implementação.

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