A greve dos trabalhadores dos Correios entrou na segunda semana em todo o país e terá um novo capítulo na próxima segunda-feira (21), quando o Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizará o julgamento do dissídio coletivo. A sessão está prevista para começar às 13h30.
A paralisação teve início na noite de 10 de setembro, depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. O principal ponto de divergência continua sendo o modelo de custeio e gestão do plano de saúde.
Plano de saúde é principal ponto de impasse
Os trabalhadores contestam a possibilidade de mudança na forma como os Correios participam do financiamento do plano de saúde. A categoria teme que alterações no modelo aumentem os custos para empregados, aposentados e dependentes.
Em agosto, a empresa havia apresentado uma proposta que previa a saída dos Correios da condição de mantenedora do plano. Posteriormente, uma nova proposta passou a prever a criação de uma comissão paritária, com prazo de até 120 dias, para discutir alternativas para o modelo de gestão e custeio do benefício. Até uma eventual mudança, seriam mantidas as condições do CorreiosSaúde II.
A FINDECT, uma das entidades que representam os trabalhadores, afirma que a proposta ainda não garante a permanência dos Correios como mantenedora do plano e considera o tema central para a categoria.
Proposta de reajuste mudou durante as negociações
Outro ponto que passou por mudanças ao longo da negociação foi o reajuste.
Inicialmente, os Correios haviam oferecido 0,87% para salários e benefícios, proposta rejeitada pelos trabalhadores. Em uma rodada posterior, a empresa apresentou uma nova proposta com reajuste equivalente a 100% do INPC, que correspondia a 4,35% em 2026, com pagamento retroativo a 1º de agosto, além da previsão de novo reajuste pelo INPC em 2027.
Apesar da mudança, a proposta não encerrou o conflito. Segundo a FINDECT, ainda existem divergências relacionadas às funções e ao plano de saúde, entre outros pontos do acordo coletivo.
Trabalhadores também questionam benefícios
Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estão a manutenção de direitos previstos em acordos anteriores e mudanças em benefícios.
A FINDECT cita, entre os pontos discutidos, a gratificação de férias de 70%, além de questões relacionadas a funções e outras cláusulas trabalhistas. A entidade também afirma que a categoria busca preservar condições relacionadas ao descanso e ao trabalho realizado em domingos e feriados.
TST determinou manutenção de 80% do efetivo
Durante a greve, o TST determinou que pelo menos 80% do efetivo dos Correios permaneça trabalhando em cada unidade da empresa.
A decisão considerou a natureza essencial do serviço postal e os possíveis impactos da paralisação. A determinação permanece válida enquanto a greve estiver em andamento.
Federação cobra retomada das negociações
A FINDECT afirma que continua defendendo a retomada das negociações diretamente com os Correios. Em manifestação divulgada nesta semana, a entidade criticou o destaque dado pela empresa a questões operacionais, como novos uniformes, enquanto o acordo coletivo e o plano de saúde permanecem sem solução.
A federação informou que solicitou uma nova reunião com a direção da estatal e sustenta que o dissídio no TST não impediria a continuidade do diálogo entre as partes.
Correios dizem que serviços continuam funcionando
Os Correios afirmam que os serviços permanecem funcionando em todo o país e que a paralisação tem adesão parcial dos empregados.
Segundo a empresa, foram adotadas medidas para reduzir os impactos da greve, entre elas o deslocamento de funcionários administrativos para atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo logístico.
A estatal orienta os clientes a acompanharem o rastreamento das encomendas pelo site ou aplicativo e a aguardarem as entregas nos endereços cadastrados.
O julgamento do dissídio coletivo pelo TST, marcado para segunda-feira (21), deverá definir os próximos passos da disputa entre os Correios e os trabalhadores.

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