Uma aposentada de 72 anos perdeu R$ 7,5 mil após ser enganada por uma pessoa que se passava pelo ator canadense Keanu Reeves na internet. A mulher, moradora de Araraquara, no interior de São Paulo, relatou à polícia que chegou a contratar três empréstimos para conseguir pagar as quantias exigidas pelo suposto artista.
O caso foi registrado como estelionato na terça-feira (13), conforme informações publicadas pelo jornal Folha Cidade. Segundo o relato apresentado à polícia, o contato começou entre quatro e cinco meses antes, por meio do aplicativo de mensagens Signal Messenger.
Durante as conversas, o suspeito prometeu entregar dinheiro, aparelhos celulares e um cartão VIP para acesso a shows no Brasil. Para receber os benefícios anunciados, porém, a aposentada precisava realizar pagamentos sucessivos, apresentados como condições para liberar os presentes e custear a entrega.
Apesar das transferências, nenhum dos itens prometidos foi recebido. Ao todo, a vítima desembolsou R$ 7,5 mil e precisou recorrer a empréstimos para atender às cobranças.
Promessa incluía US$ 10 mil e três iPhones
De acordo com o relato da aposentada, a primeira solicitação foi de R$ 1,5 mil. Em troca, a pessoa que se apresentava como Keanu Reeves prometeu um cartão VIP para acesso a shows no Brasil, US$ 10 mil e três iPhones.
Posteriormente, o interlocutor pediu mais R$ 1 mil, alegando que o valor seria necessário para levar os presentes até a residência da mulher.
As cobranças continuaram. Outras cinco solicitações de R$ 1 mil foram feitas sob a justificativa de pagar pelo transporte das mercadorias. Somadas à primeira transferência e ao segundo pagamento, as quantias chegaram a R$ 7,5 mil.
A aposentada informou que realizou todos os pagamentos solicitados. Para reunir o dinheiro, contratou três empréstimos, o que acrescentou compromissos financeiros à perda relatada.
As promessas, entretanto, não se concretizaram. A mulher não recebeu os celulares, o cartão de acesso aos shows nem os US$ 10 mil anunciados durante as conversas.
Conversas duraram meses antes de a vítima procurar a polícia
Os contatos teriam se estendido por aproximadamente quatro a cinco meses pelo Signal Messenger. Durante esse período, as solicitações de dinheiro foram apresentadas como etapas necessárias para que a aposentada recebesse os benefícios prometidos.
A sequência de cobranças é um dos pontos que poderão ser examinados durante a investigação. A polícia deverá apurar quem estava por trás do perfil, como os pagamentos foram recebidos e se há outras vítimas relacionadas à mesma pessoa ou a outros perfis utilizados no esquema.
No momento do registro da ocorrência, o responsável ainda não havia sido identificado.
Aposentada deverá apresentar comprovantes à Polícia Civil
A ocorrência foi registrada como estelionato. A mulher se comprometeu a entregar à Polícia Civil capturas de tela das conversas e comprovantes das transferências realizadas.
Esse material poderá ajudar a reconstruir a sequência dos contatos, identificar as contas ou os destinatários que receberam o dinheiro e reunir informações para a investigação.
A referência a Keanu Reeves diz respeito à identidade utilizada pelo interlocutor. Não há indicação, no relato divulgado, de que o ator tenha participado das solicitações ou tenha conhecimento dos contatos.
Como funciona esse tipo de golpe
Casos desse tipo podem envolver perfis falsos que utilizam o nome e imagens de celebridades para criar uma relação de confiança com vítimas. Depois de estabelecer contato, os responsáveis passam a apresentar promessas de presentes, dinheiro, encontros ou benefícios exclusivos, condicionando a entrega ao pagamento de taxas, fretes ou outras despesas.
Uma característica recorrente é a sequência de cobranças: depois que a vítima faz o primeiro pagamento, surge uma nova justificativa para exigir mais dinheiro. A promessa inicial nunca se concretiza, e os valores já transferidos são utilizados como argumento para convencer a pessoa a continuar pagando.
A orientação é desconfiar de solicitações de dinheiro feitas por perfis que afirmam pertencer a artistas ou outras figuras públicas, especialmente quando há promessas de grandes quantias ou presentes valiosos em troca de pagamentos antecipados.
No caso de Araraquara, a investigação deverá esclarecer a identidade do responsável pelas mensagens e rastrear o destino dos R$ 7,5 mil transferidos pela aposentada.

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