Uma criança de 11 anos foi mordida por um tubarão na tarde deste domingo (31), na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O caso ocorreu em uma área conhecida pelo histórico de incidentes com animais marinhos e que possui placas de alerta orientando banhistas sobre os riscos.
De acordo com informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, a ocorrência foi registrada no início da tarde. Três viaturas e oito militares foram mobilizados para o atendimento. Guarda-vidas que atuavam na faixa de areia prestaram os primeiros socorros ainda no local, antes da transferência da vítima para atendimento hospitalar.
Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão, o menino sofreu ferimentos na coxa, na mão esquerda e na região do quadril. Inicialmente, ele foi encaminhado ao Hospital da Aeronáutica, em Jaboatão dos Guararapes. Em seguida, devido à gravidade das lesões, foi transferido para o Hospital da Restauração, no Recife, onde passou por cirurgia.
Em atualização divulgada nesta segunda-feira (1º), o Cemit informou que o animal envolvido no ataque foi identificado como um tubarão-cabeça-chata, espécie comum na região e associada a incidentes em áreas costeiras rasas. A estimativa é de que o animal tivesse cerca de 2,5 metros.
Área tem histórico de ocorrências
O episódio é mais um registro em uma região que há décadas convive com alertas sobre o risco de incidentes com tubarões. Desde 1992, Pernambuco contabiliza 83 ocorrências monitoradas pelo Cemit. Desse total, 69 aconteceram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha.
A Praia de Piedade soma 24 registros, número que a coloca entre os pontos de maior atenção no litoral do estado. A região também aparece no histórico do comitê por abrigar o primeiro incidente documentado desde o início do monitoramento oficial.
Especialistas apontam que fatores como água turva, maré alta, ondas fortes e ausência de barreiras naturais de arrecifes podem aumentar o risco de aproximação de tubarões em áreas rasas. No caso mais recente, autoridades destacaram que as condições do mar não eram consideradas ideais para banho no momento do incidente.
O que dizem as autoridades
O Corpo de Bombeiros reforçou que a área possui sinalização visível sobre o risco de incidentes com animais marinhos. A corporação orienta a população a respeitar as placas de alerta, as recomendações dos guarda-vidas e as restrições indicadas ao longo da orla.
O Governo de Pernambuco informou que mantém ações permanentes de prevenção, com monitoramento, sinalização e educação ambiental. Em janeiro de 2025, foram instaladas 150 novas placas de alerta em um trecho de 33 quilômetros do litoral pernambucano, da Praia do Farol, em Olinda, até a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.
Somente em Jaboatão dos Guararapes, 63 placas foram distribuídas em áreas como Piedade, Candeias e Barra de Jangada, pontos considerados sensíveis para a presença de animais marinhos.
Pontos de atenção para banhistas
- Respeitar as placas de alerta instaladas nas praias;
- Seguir as orientações dos guarda-vidas;
- Evitar banho de mar em áreas de mar aberto, água turva ou maré alta;
- Não entrar no mar sozinho ou sob efeito de álcool;
- Redobrar a atenção em locais sem formação de piscinas naturais ou proteção de arrecifes;
- Acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193 em caso de emergência.
Caso reacende debate sobre prevenção
O novo incidente reforça a necessidade de atenção contínua no litoral pernambucano. Embora as praias do Grande Recife sigam entre os principais pontos turísticos do estado, autoridades ambientais e de segurança alertam que a prevenção depende tanto da sinalização quanto do comportamento dos banhistas.
A recomendação é que moradores e turistas observem as condições do mar antes de entrar na água e evitem trechos historicamente associados a ocorrências com tubarões. Para o Cemit, o respeito às orientações é fundamental para reduzir riscos e preservar vidas.

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