Iniciativa “Políticas Seguras nas Redes” orienta jornalistas e influenciadores sobre ataques virtuais, desinformação e uso de inteligência artificial durante as eleições de 2026
A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, por meio do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), lançou a campanha “Políticas Seguras nas Redes”, voltada ao enfrentamento da violência política contra mulheres no ambiente digital durante o ciclo eleitoral de 2026. A iniciativa conta com parceria da Delegação da União Europeia no Brasil e apoio institucional da ONU Mulheres.
A campanha busca ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de violência política de gênero e orientar principalmente jornalistas, comunicadores e influenciadores digitais sobre como identificar, abordar e evitar a reprodução dessas agressões.
Entre as situações abordadas estão ataques à honra e à vida privada, ameaças, discursos de ódio, desinformação e conteúdos manipulados digitalmente, incluindo deepfakes. A proposta é evitar que esse tipo de comportamento seja tratado como algo normal da disputa eleitoral.
A iniciativa reúne um hotsite denominado “Políticas Seguras nas Redes”, onde serão disponibilizados materiais de conscientização e capacitação.
Entre os conteúdos estão peças para redes sociais, um e-book destinado a jornalistas e influenciadores, além de uma oficina virtual sobre violência política de gênero. A campanha foi planejada para continuar durante o período eleitoral e avançar até depois do segundo turno.
O projeto também já realizou atividades de capacitação. Em maio, uma oficina presencial reuniu mais de 30 jornalistas e influenciadores na Câmara. Em julho, uma edição virtual contou com mais de 60 comunicadores e jornalistas de diferentes regiões do país.
A Lei nº 14.192/2021 estabeleceu regras para prevenir, reprimir e combater a violência política contra mulheres. A legislação define como violência política toda ação, conduta ou omissão destinada a impedir, dificultar ou restringir o exercício dos direitos políticos das mulheres.
A legislação também criou um tipo penal específico para condutas como assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou mulher detentora de mandato eletivo por razões relacionadas à condição de mulher ou a características raciais ou étnicas, quando a finalidade for dificultar sua campanha ou o exercício do mandato.
O ambiente digital aparece como uma das principais preocupações da campanha porque ataques podem alcançar grandes públicos rapidamente e permanecer disponíveis mesmo depois da publicação original.
Além de mensagens ofensivas e ameaças, o uso de ferramentas de inteligência artificial pode facilitar a criação de imagens, áudios e vídeos falsificados ou manipulados. A campanha da Câmara inclui justamente a discussão sobre esses novos formatos de agressão.
A própria legislação eleitoral já prevê agravantes para determinados crimes quando praticados pela internet, redes sociais ou transmissão em tempo real.
Segundo o Observatório Nacional da Mulher na Política, a violência pode funcionar como uma barreira adicional à participação feminina na vida pública, somando-se a dificuldades estruturais e financeiras.
A campanha pretende estimular uma cobertura jornalística que diferencie críticas relacionadas à atuação política de ataques que tenham como objetivo silenciar, intimidar ou retirar mulheres do espaço político.
A iniciativa ocorre em um ano de eleições gerais, período em que a circulação de conteúdo político e a exposição dos candidatos aumentam significativamente.
Além de informar possíveis vítimas, a iniciativa procura envolver quem produz e distribui conteúdo político na internet.
A orientação é que jornalistas e influenciadores tenham atenção especial ao reproduzir ataques, imagens manipuladas ou informações não verificadas, evitando ampliar o alcance de conteúdos que possam configurar violência ou desinformação.
O objetivo, segundo a Câmara, é transformar comunicadores e redes sociais em instrumentos de informação e conscientização, e não em canais de amplificação da violência política.
A campanha chega em um momento de maior atenção às condições de participação feminina nas eleições. Dados recentes mostram que as mulheres continuam representando pouco mais de um terço das candidaturas nas eleições gerais de 2026, apesar de serem maioria da população brasileira.
Nesse cenário, a Secretaria da Mulher e o Observatório defendem que a participação política feminina precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de prevenir e enfrentar práticas que possam limitar o exercício desses direitos.
A campanha “Políticas Seguras nas Redes” ficará ativa durante o ciclo eleitoral, com novos conteúdos e ações de capacitação previstos ao longo dos próximos meses.
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