O Brasil perdeu espaço em um dos principais rankings universitários internacionais. Dados divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Center for World University Rankings (CWUR) mostram que 45 das 52 instituições brasileiras presentes na lista das 2 mil melhores universidades do mundo caíram de posição em relação ao levantamento anterior.
O recuo atingiu cerca de 87% das universidades brasileiras avaliadas. Apesar do cenário negativo, a Universidade de São Paulo (USP) segue como a instituição mais bem colocada do país e da América Latina. A universidade paulista, no entanto, também perdeu uma posição e aparece agora em 119º lugar no ranking global.
Na sequência entre as brasileiras aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que caiu 15 posições e ficou em 346º lugar, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que recuou dez postos e ocupa agora a 379ª colocação.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) manteve a 476ª posição e ultrapassou a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que caiu 22 colocações e aparece em 479º lugar. Com isso, a UFRGS passou a ocupar a quarta posição entre as brasileiras mais bem avaliadas.
Entre as dez melhores instituições brasileiras também aparecem a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 508º lugar; a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 621º; a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 682º; a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 732º; e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 799º.
Pesquisa pesa no resultado
O CWUR aponta que o desempenho em pesquisa foi um dos principais fatores para a queda brasileira. Dentro da metodologia do ranking, a área de pesquisa representa 40% da nota final e considera produção científica, publicações em periódicos de alto impacto, influência dos estudos e citações acadêmicas.
Além da pesquisa, o levantamento também avalia a qualidade da educação, a empregabilidade dos ex-alunos e a qualidade do corpo docente. No caso brasileiro, o recuo acendeu alerta para a perda de competitividade em um cenário internacional cada vez mais disputado.
Na avaliação do presidente do CWUR, Nadim Mahassen, o desempenho das universidades brasileiras reflete problemas estruturais ligados ao financiamento, à valorização da ciência e à capacidade de atrair e reter talentos. Para ele, a queda não afeta apenas o ambiente acadêmico, mas também a inovação e o desenvolvimento científico do país no longo prazo.
China passa os Estados Unidos
No cenário global, o principal destaque foi a China. Pela primeira vez, o país asiático se tornou o mais representado no Global 2000, com 360 instituições entre as melhores do mundo. Os Estados Unidos aparecem logo atrás, com 313 universidades classificadas.
Apesar de perderem a liderança em número total de instituições, os norte-americanos continuam dominando o topo da lista. Das dez melhores universidades do mundo, oito estão nos Estados Unidos. Harvard aparece em primeiro lugar, seguida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e por Stanford.
As universidades de Cambridge e Oxford, ambas do Reino Unido, completam o grupo das cinco primeiras colocadas. Princeton, Pensilvânia, Columbia, Yale e Chicago fecham o top 10, reforçando a força das instituições norte-americanas nas posições mais altas.
A China, por outro lado, avança de forma consistente principalmente nas faixas intermediárias e superiores do ranking. O crescimento é atribuído ao investimento contínuo em pesquisa, internacionalização e fortalecimento de universidades estratégicas.
O que explica a mudança
A ultrapassagem da China sobre os Estados Unidos em número de instituições no ranking mostra uma mudança importante no mapa global do ensino superior. Enquanto os EUA ainda concentram universidades de elite no topo, a China amplia sua presença em escala, com centenas de instituições ganhando espaço.
No Brasil, o resultado vai na direção contrária. A queda da maioria das universidades brasileiras indica dificuldade para acompanhar o ritmo de países que ampliaram investimentos em ciência, tecnologia e produção acadêmica.
Especialistas avaliam que rankings internacionais não resumem toda a qualidade de uma universidade, mas funcionam como termômetro da competitividade científica. No caso brasileiro, o alerta é claro: sem investimento contínuo, valorização da pesquisa e políticas de longo prazo, o país tende a perder relevância no cenário acadêmico mundial.
Principais pontos do ranking
- 45 das 52 universidades brasileiras listadas perderam posições;
- A queda atinge cerca de 87% das instituições do país;
- A USP segue como melhor universidade do Brasil e da América Latina, agora em 119º lugar;
- UFRJ aparece em 346º e Unicamp em 379º;
- UFRGS ficou estável em 476º e ultrapassou a Unesp;
- O desempenho em pesquisa foi apontado como um dos principais fatores para o recuo brasileiro;
- A China passou os Estados Unidos em número de instituições no ranking;
- O país asiático tem 360 universidades listadas, contra 313 dos EUA;
- Mesmo assim, os Estados Unidos ainda têm oito das dez melhores universidades do mundo.
Top 10 global do CWUR 2026
- Harvard University — Estados Unidos
- Massachusetts Institute of Technology (MIT) — Estados Unidos
- Stanford University — Estados Unidos
- University of Cambridge — Reino Unido
- University of Oxford — Reino Unido
- Princeton University — Estados Unidos
- University of Pennsylvania — Estados Unidos
- Columbia University — Estados Unidos
- Yale University — Estados Unidos
- University of Chicago — Estados Unidos

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