quarta-feira , 10 junho 2026
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Área de Criticidade 1 pode ser ampliada após nova inspeção judicial em Maceió

A Justiça Federal autorizou a realização de uma inspeção judicial no bairro Bom Parto, em Maceió, após solicitação da Defensoria Pública do Estado, acionada por moradores afetados pela tragédia ambiental provocada pela Braskem. A vistoria foi divulgada pelo defensor Ricardo Melro, coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, que acompanha o caso.

A inspeção está agendada para o dia 22 de julho, às 15h, e contará com a participação da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), responsável por estudos geológicos da região.

Segundo Melro, a visita será fundamental para que o Judiciário possa compreender, diretamente no local, a gravidade da situação enfrentada por moradores cujos imóveis apresentam rachaduras, fissuras, trincas e afundamentos.

“Nosso pedido é claro: queremos que toda a área classificada como Criticidade 01 seja incluída no plano de realocação, não apenas o Bom Parto, mas também regiões severamente atingidas, como a Rua Marquês de Abrantes”, afirmou o defensor.

A Defensoria Pública já juntou ao processo um conjunto robusto de provas, incluindo vídeos, fotos e reportagens que demonstram o avanço da degradação estrutural dos imóveis.

Após a vistoria, a Justiça deverá analisar o pedido para ampliar a zona de realocação, abrangendo toda a região de Criticidade 1.

Contexto do caso Braskem

O colapso geológico em áreas de Maceió tem origem nas atividades de extração de sal-gema realizadas pela Braskem desde a década de 1970. Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) já alertavam, à época, para os riscos das operações em áreas urbanas.

A partir de 2018, o caso passou a ser formalmente investigado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Conforme o Ministério Público Federal (MPF), até a publicação do relatório técnico, 35 poços de extração haviam sido identificados na área urbana da capital.

Cientistas apontam que um tremor de terra registrado em 2018 foi consequência do colapso de uma das cavidades subterrâneas. Em dezembro de 2023, a mina 18, localizada sob a Lagoa Mundaú, rompeu-se, liberando um volume estimado em 116 mil metros cúbicos, segundo informações da Prefeitura de Maceió.

Foto: Reprodução

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