Uma investigação da Polícia Civil de Alagoas aponta que um grupo de colombianos suspeitos de atuar com agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro teria recorrido a ameaças e violência para cobrar dívidas de vítimas no estado. A apuração resultou na deflagração da Operação Usura nesta sexta-feira (6).
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Campinas, no interior de São Paulo, e em João Pessoa, na Paraíba. Durante a ação, os policiais apreenderam R$ 60 mil em dinheiro, diversas joias, quatro veículos, celulares, equipamentos eletrônicos e documentos.
Nenhum suspeito foi preso durante a operação.
Segundo o delegado Lucas Nascimento, os investigados ofereciam empréstimos a pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. A polícia afirma que, após a contratação, os juros e a frequência das cobranças tornavam a quitação das dívidas praticamente inviável.
Quando os devedores não conseguiam cumprir os pagamentos, o grupo teria passado a utilizar métodos violentos para pressioná-los.
“Eles emprestam quantias, dando a entender que é algo mais possível de ser pago, só que com os juros que eles cobram, na recorrência que eles cobram, acaba sendo impossível de quitar essa dívida. Quando as pessoas não conseguem pagar, eles partem para extorsão”, explicou o delegado.
Ainda de acordo com Nascimento, entre os métodos investigados estão o uso de simulacros de armas de fogo, armas de choque e outras formas de violência.
Polícia tenta identificar outros integrantes
A operação também teve como objetivo reunir novas provas sobre a atuação do grupo e identificar possíveis integrantes que ainda não foram individualizados.
“Os mandados foram para tentar angariar mais elementos para identificar novos envolvidos e ter a certeza do total de estrago que esse pessoal está fazendo”, afirmou o delegado.
O material recolhido durante as buscas será submetido à análise dos investigadores. A intenção é identificar a participação individual de cada suspeito, além de rastrear a movimentação financeira atribuída ao grupo.
Alguns veículos relacionados aos investigados também tiveram a circulação restringida por determinação judicial.
Investigação apontou movimentações milionárias
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam empresas, veículos e contas bancárias de terceiros para movimentar e ocultar recursos que seriam provenientes dos empréstimos.
Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações consideradas incompatíveis com o patrimônio e a renda estimada dos investigados. Essas informações ajudaram a polícia a aprofundar a apuração sobre uma possível estrutura de lavagem de dinheiro.
A Operação Usura foi coordenada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), por meio da Seção Especializada no Combate à Lavagem de Dinheiro.
As investigações continuam para esclarecer a extensão do esquema, identificar outros possíveis envolvidos e reunir elementos que possam individualizar as condutas atribuídas aos investigados.

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