O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho foi levado à delegacia na noite de segunda-feira (2), após uma ocorrência envolvendo crianças que jogavam futebol nas proximidades da Vila Olímpica de Santa Maria, no Distrito Federal. O caso está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mas, até o momento, não houve prisão, indiciamento ou confirmação de prática criminosa.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 20h40, após moradores relatarem que um homem dentro de um veículo estaria piscando os faróis e fazendo gestos em direção às crianças que estavam nas proximidades do complexo esportivo.
Segundo o boletim de ocorrência, uma das testemunhas contou que foi avisada por uma criança sobre a presença de um carro estacionado na região. O motorista teria acionado as luzes do veículo e feito um gesto de coração com as mãos.
Outros adultos se aproximaram para verificar a situação. Já dentro do espaço esportivo, um adolescente teria questionado Ricardo Coutinho sobre o motivo de o carro estar piscando as luzes na direção dos menores.
O registro policial também menciona uma informação repassada ao Centro de Operações da PM de que o homem estaria chamando as crianças para entrar no veículo. Essa suspeita, porém, aparece como relato recebido pelos policiais e não como fato confirmado no documento.
Ex-governador apresentou outra versão
Em depoimento à Polícia Civil, Ricardo Coutinho negou ter chamado ou feito qualquer gesto direcionado às crianças. Ele afirmou que estava na Vila Olímpica para acompanhar o filho em uma atividade de futebol.
De acordo com sua versão, tentou estacionar dentro do complexo esportivo, mas foi impedido pelos vigilantes. Como também não encontrou vaga nas proximidades, deixou o veículo em um terreno próximo, descrito por ele como escuro e sem iluminação.
O ex-governador declarou que permaneceu por alguns instantes dentro do carro procurando um papel e, em seguida, saiu em direção ao ginásio. Segundo seu relato, foi nesse momento que acionou o alarme para travar o veículo, fazendo com que as luzes piscassem automaticamente.
Coutinho afirmou que não percebeu a presença de crianças brincando nas proximidades e que ninguém o abordou durante o trajeto até a arquibancada. Ele contou que, posteriormente, um adolescente o questionou de maneira exaltada sobre o funcionamento das luzes do automóvel.
Segundo o depoimento, o ex-governador chegou a imaginar que poderia estar diante de uma tentativa de ameaça ou golpe. A defesa solicitou que fotografias do veículo fossem anexadas ao procedimento policial.
Defesa afirma que Ricardo acionou a Polícia Militar
Em nota oficial, a defesa de Ricardo Coutinho negou que ele tenha sido preso ou que exista confirmação de suspeita de aliciamento de crianças. Os advogados afirmaram que o ex-governador teria sido vítima de uma tentativa de golpe e extorsão enquanto acompanhava o enteado em uma atividade esportiva.
Segundo a versão apresentada pela defesa, após ser abordado de forma agressiva por um jovem, Coutinho deixou o ginásio e procurou a Polícia Militar, por receio de que as ameaças pudessem colocar em risco sua segurança e a do familiar.
Os advogados também divulgaram o número de um registro de ocorrência no sistema da PMDF, identificado como COPOM 20261102191828-630-OC. A defesa sustenta que esse documento demonstraria que Ricardo Coutinho foi o primeiro a acionar a polícia.
Ainda conforme a nota, depois de registrar a ocorrência, o ex-governador compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos e denunciar o que classificou como ameaças e calúnias. A equipe jurídica informou que pretende adotar medidas judiciais contra publicações que considera falsas e difamatórias.
Caso continua sob investigação
A ocorrência foi homologada às 6h41 desta terça-feira (3) e encaminhada à 33ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação na região de Santa Maria.
O registro policial não aponta prisão, apreensão de objetos ou realização de perícia no local. A classificação do caso como ocorrência em apuração indica que os relatos apresentados ainda precisam ser analisados pelas autoridades.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre o que aconteceu nas proximidades da Vila Olímpica. As versões das testemunhas e do ex-governador deverão ser consideradas durante a investigação.
Ricardo Vieira Coutinho governou a Paraíba por dois mandatos, entre 2011 e 2018.

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