Metallica Rose Harrison, de 27 anos, foi acusada de matar o marido, Charles, e o filho do casal, Tristan, de 3 anos, em um quarto do resort Great Wolf Lodge, em Scotrun, na região montanhosa de Pocono, na Pensilvânia, Estados Unidos.
Segundo informações reunidas pela investigação, familiares relataram que a mulher demonstrava ressentimento em relação ao filho por acreditar que havia perdido a atenção exclusiva do marido. Os depoimentos também indicaram que ela não queria engravidar e que era descrita por parentes como uma pessoa “dominante” e “controladora”.
A mulher foi formalmente acusada de dois homicídios na terça-feira (13 de outubro). De acordo com a polícia, as vítimas foram esfaqueadas no peito dentro do quarto do resort.
Os investigadores apuram se o crime foi planejado com antecedência. Entre os elementos analisados estão movimentações financeiras da família, depoimentos de parentes e objetos recolhidos tanto no hotel quanto na residência do casal.
Família estava hospedada no resort desde setembro
A família chegou ao Great Wolf Lodge em 21 de setembro. Em 5 de outubro, o período de hospedagem foi estendido.
De acordo com as informações reunidas pelas autoridades, o casal havia retirado recursos de um fundo de previdência privada de Charles para financiar a viagem e a permanência prolongada no resort.
A investigação busca esclarecer se a estadia teve relação com o planejamento do crime e quais circunstâncias antecederam as mortes.
Mandados de busca baseados em depoimentos da mãe e da irmã de Charles também trouxeram relatos sobre o relacionamento familiar. Segundo os parentes, Metallica guardava ressentimento por sentir que a chegada do filho havia alterado a atenção que recebia do marido.
As declarações são tratadas como parte da apuração e ainda precisam ser analisadas em conjunto com as demais evidências.
Mulher ligou para o serviço de emergência
Segundo o boletim de ocorrência, Metallica telefonou para o serviço de emergência dos Estados Unidos, o 911, e confessou ter matado o marido e o filho. Durante a ligação, ela também pediu ajuda para tirar a própria vida.
A mulher teria afirmado que estava “fraca demais para esfaquear o próprio pescoço”. Ela disse ainda que tinha facas, mas que elas “não estavam funcionando”, e pediu “ajuda para morrer”.
Na mesma ligação, conforme o registro policial, Metallica falou sobre seus esforços para ser “a melhor mãe, a melhor esposa”.
Após a prisão, ela foi fotografada chorando durante o procedimento de registro policial na Pensilvânia.
Família afirma que não percebeu sinais de alerta
April Thetga, madrasta de Metallica, afirmou ao jornal New York Post que ficou surpresa com a tragédia. Segundo ela, a última conversa com a enteada não apresentou sinais de que algo grave pudesse acontecer.
“Ela ligou, estávamos conversando por vídeo, e então ela disse que nos amava muito, exatamente como costumava fazer. Não foi uma conversa estranha. Ela não nos deu nenhum indício de que algo pudesse vir a acontecer. Era uma família amorosa. Estamos tão chocados quanto qualquer outra pessoa”, relatou.
O depoimento integra o conjunto de informações que as autoridades estão reunindo para compreender as circunstâncias do caso.
Facas e medicamentos foram encontrados no quarto
Durante a perícia no resort, os investigadores apreenderam uma grande faca de açougueiro no chão do banheiro e uma faca menor na pia. A administração do estabelecimento informou que os utensílios não pertenciam ao hotel.
Diversos frascos de medicamentos também foram recolhidos no quarto. O material deverá ser analisado durante a investigação.
Na quarta-feira (14 de outubro), as autoridades realizaram buscas na residência da família, em Towanda, cidade localizada a cerca de duas horas ao norte do resort.
De acordo com um pedido de mandado de busca obtido pela ABC News, os investigadores esperam encontrar evidências que ajudem a esclarecer a motivação do crime e a estabelecer possíveis conexões entre a faca utilizada no local e outros objetos.
O documento também menciona a possibilidade de encontrar registros de pensamentos homicidas ou suicidas em anotações pessoais e dispositivos eletrônicos.
Polícia apreendeu diário e equipamentos eletrônicos
Durante as buscas na residência, a polícia apreendeu quase uma dúzia de facas, um cofre, um diário, um caderno com anotações financeiras, um notebook e outros objetos.
Os investigadores devem examinar o material para verificar se há registros que ajudem a reconstruir os acontecimentos anteriores às mortes.
Segundo as informações iniciais e os relatos de familiares, não havia histórico conhecido de doenças mentais ou problemas psicológicos atribuídos a Metallica. Essa informação, no entanto, não determina por si só a motivação do crime.
A investigação continua para esclarecer as circunstâncias das mortes, verificar se houve planejamento prévio e reunir provas que possam ser apresentadas no processo criminal.

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