O resultado do primeiro turno das Eleições 2026 produziu mudanças importantes no cenário político de alguns estados e atingiu grupos que, há anos, exercem influência sobre as disputas locais. Entre os principais casos estão as derrotas enfrentadas por aliados das famílias Calheiros, em Alagoas, e Barbalho, no Pará, além dos grupos políticos ligados aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).
Em Alagoas, a eleição marcou a derrota de Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo e de Renan Calheiros (MDB) na corrida por uma das duas vagas ao Senado. O resultado colocou JHC (PSDB) no governo estadual e elegeu Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) para o Senado.
Alagoas: Calheiros perde disputa pelo governo e pelo Senado
Na eleição para governador de Alagoas, JHC venceu Renan Filho no primeiro turno. O candidato do PSDB recebeu 52,20% dos votos válidos, enquanto o emedebista ficou com 47,37%, segundo os dados oficiais da apuração.
A disputa pelo Senado também terminou com dois nomes de fora do grupo Calheiros. Arthur Lira foi eleito com 28,98% dos votos válidos e Marina JHC ficou com 28,04%.
Renan Calheiros terminou em terceiro, com 22,43%, e não conseguiu conquistar o que seria seu quinto mandato consecutivo no Senado.
O resultado encerrou uma sequência de vitórias eleitorais do grupo Calheiros em disputas majoritárias no estado e alterou a correlação de forças para a próxima legislatura.
Barbalho perde governo, mas conquista vaga no Senado
No Pará, o grupo político ligado à família Barbalho também enfrentou uma derrota na disputa pelo governo estadual.
Dr. Daniel (Podemos) venceu a eleição para governador com 51,5% dos votos válidos, superando Hana Ghassan (MDB), que obteve 46,4%.
Hana havia assumido o governo estadual após a saída de Helder Barbalho (MDB), que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.
Apesar da derrota no Executivo estadual, Helder conseguiu se eleger senador. Ele recebeu 26,1% dos votos válidos e garantiu uma das duas cadeiras em disputa.
A outra vaga ficou com Chicão (União Brasil), que alcançou 22,4%.
Pai de Hugo Motta perde disputa na Paraíba
Na Paraíba, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também viu um integrante de seu grupo familiar ser derrotado.
O pai do deputado, Nabor Wanderley (Republicanos), disputou uma das duas vagas ao Senado, mas terminou fora da zona de eleição.
Foram eleitos João Azevêdo (PSB), com 32,5% dos votos válidos, e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 22,7%. Wanderley terminou com 21%.
A candidatura do pai de Motta ganhou espaço depois que o próprio deputado deixou de disputar o Senado para assumir uma posição central na Câmara dos Deputados.
Motta chegou à presidência da Casa após a sucessão de Arthur Lira e passou a ser um dos principais articuladores políticos do Congresso Nacional.
Durante a campanha, o presidente da Câmara também teve divergências públicas com Veneziano. O senador recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba, enquanto Wanderley não contou com o apoio formal do presidente.
Alcolumbre sofre derrotas no Amapá
No Amapá, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enfrentou duas derrotas dentro de seu grupo político.
O governador Clécio Luís (União Brasil) perdeu a eleição para Dr. Furlan (PSD) ainda no primeiro turno. Furlan recebeu 62,75% dos votos válidos, contra 36,97% de Clécio.
Além disso, o senador Randolfe Rodrigues (PT), que fazia parte da chapa de Clécio e buscava a reeleição, também não conseguiu permanecer no Senado.
Alcolumbre não disputou uma vaga nesta eleição porque está no meio de seu mandato. O resultado, porém, reduz a presença de aliados diretos do senador no comando do Executivo estadual e na representação do Amapá no Senado.
Derrotas ocorrem antes da eleição para o comando do Congresso
Os resultados nos quatro estados acontecem em um momento importante para Motta e Alcolumbre.
Os dois presidentes das Casas do Congresso deverão enfrentar, nos próximos meses, as articulações para a escolha das mesas diretoras que comandarão Câmara e Senado a partir de fevereiro de 2027.
Além da influência institucional na definição da pauta legislativa, os presidentes das Casas têm papel relevante na articulação política nacional e na distribuição de recursos e emendas parlamentares.
Nesse contexto, a perda de aliados em disputas estaduais pode alterar a capacidade de articulação dos dois parlamentares, embora não determine, por si só, o resultado das futuras eleições internas do Congresso.
Grupos tradicionais passam por nova configuração
As eleições de 2026 mostram, portanto, diferentes situações.
Em Alagoas, o grupo Calheiros perdeu as disputas pelo governo e por uma das vagas ao Senado. No Pará, os Barbalho perderam o governo, mas mantiveram presença no Senado com a eleição de Helder.
Na Paraíba, o grupo de Hugo Motta não conseguiu eleger seu principal candidato ao Senado. Já no Amapá, Alcolumbre viu seu grupo perder o governo estadual e também uma cadeira no Senado.
Os resultados não significam necessariamente o fim da influência desses grupos, mas representam mudanças na composição das forças políticas nos estados e abrem uma nova etapa de articulação para a legislatura que começa em 2027.

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