A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) empenhou R$ 424,15 milhões entre 1º de janeiro e 24 de setembro de 2026, segundo dados do Portal da Transparência estadual. No mesmo período, o Legislativo liquidou o mesmo valor e efetivamente pagou R$ 409,51 milhões.
A execução orçamentária ocorre após a abertura de R$ 150,5 milhões em créditos suplementares para a Assembleia entre o fim de agosto e meados de setembro. Do montante, R$ 126 milhões foram destinados à rubrica de gestão de pessoas, enquanto outros R$ 24,5 milhões reforçaram despesas relacionadas à manutenção das atividades da Casa.
O período também foi marcado pela publicação de 311 atos de nomeação para cargos comissionados entre os dias 3 e 26 de agosto. Embora os números tenham ocorrido no mesmo intervalo de expansão das despesas e do orçamento, os dados disponíveis não permitem afirmar que os créditos suplementares tenham sido utilizados especificamente para custear os novos servidores.
Despesas aumentaram R$ 148,7 milhões desde junho
Ao final do primeiro semestre, a ALE havia empenhado R$ 275,38 milhões e pago R$ 266,17 milhões. Naquele momento, os pagamentos já representavam aproximadamente 80% do orçamento inicial de R$ 332,57 milhões previsto para todo o ano.
Entre o fechamento de junho e 24 de setembro, os empenhos aumentaram R$ 148,77 milhões, chegando aos R$ 424,15 milhões registrados no período. Os pagamentos também avançaram R$ 143,34 milhões, passando de R$ 266,17 milhões para R$ 409,51 milhões.
Os seis créditos suplementares concedidos entre 25 de agosto e 15 de setembro totalizaram R$ 150,5 milhões. Desse valor, R$ 126 milhões foram destinados à gestão de pessoas e R$ 24,5 milhões à manutenção das atividades da Assembleia.
Somando o orçamento inicial aos créditos suplementares registrados no período, a dotação disponível chegaria a aproximadamente R$ 483,07 milhões. Com R$ 424,15 milhões já empenhados até 24 de setembro, a execução corresponde a cerca de 87,8% desse montante.
Assembleia publicou 311 nomeações em agosto
No mesmo período de expansão orçamentária, a Assembleia publicou 311 atos de nomeação para cargos comissionados. As portarias foram divulgadas entre 3 e 26 de agosto.
Dos 311 nomeados, 301 — cerca de 97% — foram enquadrados no nível SP-25, considerado o mais alto entre as faixas analisadas pelo Francês News.
Com base nos vencimentos disponíveis na tabela da própria Assembleia, os novos cargos representam uma estimativa de aproximadamente R$ 3,58 milhões mensais em remunerações. Em 12 meses, o valor chegaria a cerca de R$ 42,96 milhões.
A projeção considera apenas os vencimentos básicos e não inclui Gratificação de Desempenho Especial (GDE), 13º salário ou encargos patronais.
O cálculo, porém, não significa que a folha da Assembleia tenha aumentado exatamente nesse valor. No mesmo período, também foram registrados atos de exoneração, além da possibilidade de parte das nomeações ter ocupado vagas que já existiam na estrutura do Legislativo.
Auxílios somam R$ 104,8 milhões
Entre as despesas que mais chamam atenção no levantamento estão os benefícios destinados aos servidores. Até 24 de setembro, a Assembleia havia empenhado e pago R$ 52,41 milhões em auxílio-alimentação e o mesmo valor em auxílio-transporte.
Somados, os dois benefícios chegaram a R$ 104,82 milhões no ano.
Até junho, as duas rubricas acumulavam R$ 76,18 milhões. Em menos de três meses, portanto, houve aumento de R$ 28,64 milhões, equivalente a aproximadamente 37,6%.
Individualmente, os dois auxílios já superaram em cerca de 103,5% a dotação inicial de R$ 25,75 milhões prevista para cada rubrica. Juntos, alimentação e transporte representam aproximadamente 25,6% de tudo o que a Assembleia pagou em 2026 até 24 de setembro.
Investimentos aparecem com valores reduzidos
Os dados também mostram uma diferença significativa entre as despesas com pessoal e benefícios e aquelas classificadas como investimentos.
Até 24 de setembro, a rubrica de equipamentos e material permanente registrava apenas R$ 35,6 mil. Já obras e instalações somavam R$ 57,2 mil.
As duas categorias, juntas, representavam aproximadamente R$ 92,8 mil em despesas no período — uma parcela pequena diante dos mais de R$ 409 milhões efetivamente pagos pela Assembleia em 2026.
Os números apresentados refletem a execução orçamentária registrada no Portal da Transparência e, isoladamente, não permitem concluir sobre eventual irregularidade na utilização dos recursos. Para identificar a destinação específica dos créditos suplementares e a relação entre as novas nomeações e o aumento da folha, seria necessário analisar individualmente os atos, empenhos, liquidações, pagamentos e documentos que deram origem às despesas.


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