A prisão de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, em Maceió, revelou novos detalhes de uma investigação que apura uma estrutura de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com atuação entre diferentes estados.
Segundo as investigações da Operação Icarus, deflagrada nesta semana, “Boss” teria exercido uma função estratégica na articulação entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e grupos ligados ao Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.
A apuração, conduzida por forças de segurança de diferentes estados, investiga um esquema que teria movimentado mais de R$ 70 milhões por meio do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro. Empresas dos setores de transporte e logística teriam sido utilizadas para ocultar parte das operações financeiras.
Investigação aponta “Boss” como elo da operação
De acordo com os investigadores, a função atribuída a “Boss” era intermediar o fornecimento de grandes quantidades de cocaína provenientes de São Paulo para áreas sob influência do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
A investigação aponta que ele faria a ligação entre diferentes integrantes da estrutura, conectando a origem das cargas, a logística de transporte e os responsáveis pela distribuição dos entorpecentes.
Um dos nomes citados no inquérito é Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como “My Thor”, apontado como integrante do Comando Vermelho e que, segundo a investigação, participaria das negociações mesmo estando no sistema prisional do Rio de Janeiro.
Na outra ponta estaria o policial Paulo Rafael Fernandes, que é investigado por supostamente utilizar uma empresa para realizar pagamentos relacionados às cargas de cocaína.
Segundo as autoridades, a empresa também teria sido utilizada para movimentar ou ocultar recursos provenientes do tráfico.
Policial já havia sido abordado no Amazonas
Paulo Rafael Fernandes já havia entrado no radar das autoridades antes da deflagração da operação.
Em abril deste ano, ele foi abordado por agentes no Amazonas enquanto estava a bordo de uma aeronave fretada nas proximidades da fronteira entre o Brasil e a Colômbia.
Durante as investigações, os policiais também identificaram movimentações financeiras e empresas que, segundo a apuração, teriam sido utilizadas para dar aparência legal a recursos relacionados ao tráfico.
Prisões em quatro estados
A Operação Icarus foi realizada de forma integrada em Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, foram expedidos mandados de prisão preventiva contra investigados apontados como integrantes ou colaboradores da estrutura criminosa. A ação contou com a participação de órgãos de segurança dos estados envolvidos.
Em Maceió, “Boss” foi localizado durante uma ação conjunta da Subsecretaria de Inteligência e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Além das prisões, as equipes cumpriram mandados de busca e apreensão para recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.
Investigação começou há cerca de dois anos
A apuração busca reconstruir a cadeia de fornecimento, transporte, distribuição e pagamento das drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, apreensões anteriores de grandes carregamentos de entorpecentes ajudaram a revelar conexões entre os integrantes do grupo. A investigação também identificou suspeitos responsáveis por logística e lavagem de dinheiro por meio de empresas registradas em nome de terceiros.
A prisão de “Boss” representa, segundo a investigação, uma tentativa de atingir um dos pontos de articulação entre fornecedores e distribuidores da organização.
As acusações ainda serão submetidas à análise da Justiça. Os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência enquanto não houver decisão judicial definitiva.

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