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Pisa 2025 mostra distância entre estudantes brasileiros e média da OCDE, apesar de melhora relativa

Brasil registrou 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências; país também foi avaliado pela primeira vez em aprendizagem no mundo digital

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os resultados do Pisa 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que o Brasil continua abaixo da média das economias desenvolvidas nas três principais áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências.

Os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Na referência formada por 23 países da OCDE, as médias foram de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente.

A edição de 2025 teve Ciências como área principal da avaliação e também trouxe, pela primeira vez, uma análise específica sobre Aprendizagem no Mundo Digital, incluindo a capacidade dos estudantes de resolver problemas utilizando ferramentas computacionais.

Diferença ainda representa anos de aprendizagem

A distância entre o desempenho brasileiro e a média da OCDE permanece significativa.

Em matemática, por exemplo, são 92 pontos de diferença entre os 377 pontos obtidos pelo Brasil e os 469 da média de referência. Considerando a equivalência utilizada no estudo, segundo a qual aproximadamente 20 pontos correspondem a um ano de aprendizagem, a diferença representa cerca de 4,6 anos.

A situação também é desfavorável em leitura e ciências, embora a distância em relação à OCDE tenha diminuído ao longo das últimas duas décadas.

Em leitura, a diferença caiu de 102 pontos em 2006 para 58 pontos em 2025. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos. Já em ciências, recuou de 113 para 77 pontos.

Os dados indicam, portanto, que o Brasil avançou em relação à distância que apresentava no início da série histórica, mas ainda permanece abaixo do desempenho médio dos países utilizados como referência.

Desempenho ficou praticamente estável desde 2022

Na comparação com a edição anterior do Pisa, realizada em 2022, os resultados brasileiros apresentaram poucas alterações.

O maior avanço ocorreu justamente em Ciências, área que recebeu maior peso na edição de 2025. O resultado brasileiro passou de 403 pontos em 2022 para 409 em 2025.

A avaliação também indica que o Brasil teve uma recuperação relativamente melhor no período posterior à pandemia de Covid-19 quando comparado à trajetória média da OCDE. Entre 2018 e 2025, o país conseguiu superar em Ciências o desempenho registrado antes da pandemia e apresentou perdas menores em leitura e matemática.

Mais de 30 mil estudantes participaram no Brasil

O Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos e busca medir não apenas o conhecimento acumulado, mas a capacidade de aplicar aquilo que foi aprendido na resolução de situações práticas.

Em 2025, mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da avaliação, representando cerca de 33 milhões de jovens de 15 anos matriculados em escolas desses locais.

No Brasil, o Inep informa que 30.341 estudantes de 1.014 escolas, abrangendo todas as unidades da Federação, participaram da aplicação realizada entre abril e maio de 2025.

A avaliação brasileira é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação e pela representação do país junto à OCDE.

Novo componente avaliou uso de tecnologia

Uma das novidades do Pisa 2025 foi a inclusão do domínio Aprendizagem no Mundo Digital.

No eixo que mede a capacidade de resolver problemas utilizando ferramentas computacionais, o Brasil registrou 406 pontos, enquanto a média da OCDE ficou em 500.

A avaliação também mostrou que os estudantes brasileiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial com frequência para atividades escolares. Segundo a OCDE, 48% afirmaram usar chatbots de IA pelo menos uma vez por semana para ajudá-los a aprender, percentual próximo à média de 46% registrada nos países da organização.

No Brasil, 40% disseram utilizar IA para realizar pesquisas preliminares sobre novos assuntos, 31% para resumir textos e 27% para elaborar rascunhos de trabalhos escritos.

A OCDE informou que os resultados relacionados à capacidade de os estudantes autorregularem a própria aprendizagem em ambientes digitais serão divulgados somente em 2027.

Celulares estão mais restritos nas escolas

Outro dado que chamou atenção na edição de 2025 está relacionado ao uso de celulares no ambiente escolar.

Segundo a OCDE, 81% dos estudantes brasileiros frequentavam escolas onde o uso de celulares não era permitido nas dependências da instituição. Em 2022, esse percentual era de 37%.

A média dos países da OCDE em 2025 ficou em 49%.

O levantamento aponta ainda uma relação entre restrições aos aparelhos e distrações digitais. Nos países da OCDE, estudantes de escolas que proíbem celulares apresentam cerca de 13% menos probabilidade de relatar distração provocada por dispositivos digitais.

A ampliação das restrições no Brasil ocorre após a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras nacionais para o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes durante aulas, recreios e intervalos da educação básica.

Uso de dispositivos também apresenta desafios

Apesar da ampliação das restrições, os dados mostram que os recursos digitais já fazem parte da rotina escolar.

Estudantes brasileiros relataram utilizar dispositivos digitais por aproximadamente 1,3 hora por dia na escola para atividades de aprendizagem. Para atividades de lazer, a média foi de uma hora diária.

A OCDE também identificou impacto associado à distração digital. No Brasil, estudantes que relataram distrações provocadas por dispositivos durante as aulas de Ciências tiveram desempenho 19 pontos inferior, em média, aos que não relataram esse tipo de problema, depois de considerados os perfis socioeconômicos dos estudantes e das escolas.

Maioria dos estudantes demonstra vínculo com a escola

Apesar do desempenho abaixo da média internacional, o Pisa também identificou indicadores positivos relacionados à percepção dos estudantes sobre a educação.

No Brasil, apenas 16% dos estudantes disseram considerar a escola uma perda de tempo, enquanto a média da OCDE chegou a 24%.

O percentual brasileiro caiu 6,9 pontos em relação a 2022.

A avaliação também encontrou uma associação entre a valorização da escola e o desempenho acadêmico: estudantes que reconhecem maior importância na educação obtiveram, em média, 35 pontos a mais em Ciências do que aqueles que não atribuem o mesmo valor à escola.

Autorregulação ainda é um desafio

A pesquisa também investigou a maneira como os próprios estudantes organizam o processo de aprendizagem.

No Brasil, aproximadamente 39% dos alunos disseram que frequentemente ou muito frequentemente planejam como irão estudar. Outros 49% afirmaram fazer perguntas a si mesmos sobre o conteúdo para verificar se compreenderam aquilo que estudaram.

O levantamento mostra ainda que os estudantes brasileiros recorrem com frequência a professores e colegas quando encontram dificuldades: 81% pedem ajuda aos professores e 82% aos colegas quando não compreendem completamente determinado conteúdo.

Preocupação ambiental aparece entre os resultados

O Pisa 2025 também avaliou a preparação dos jovens para lidar com desafios ambientais.

No Brasil, 84% dos estudantes disseram acreditar que podem contribuir positivamente para o meio ambiente, enquanto 87% demonstraram confiança na possibilidade de ações coletivas produzirem resultados.

Além disso, 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças.

Entre as atividades relacionadas ao meio ambiente, 60% dos estudantes brasileiros disseram conversar com amigos ou familiares sobre maneiras de gerar impacto positivo, enquanto 58% afirmaram considerar a sustentabilidade dos produtos em decisões de compra.

O que os números mostram

Os resultados do Pisa 2025 apresentam um cenário com duas dimensões.

De um lado, o Brasil continua distante do desempenho médio da OCDE, especialmente em matemática, e enfrenta dificuldades relacionadas à aprendizagem, à autorregulação dos estudantes e às distrações provocadas por dispositivos digitais.

De outro, os dados indicam que a distância histórica em relação aos países desenvolvidos diminuiu e que o sistema educacional brasileiro conseguiu apresentar uma recuperação relevante após os impactos provocados pela pandemia.

A edição de 2025 também amplia o debate sobre o papel da tecnologia na educação. Pela primeira vez, o Pisa avaliou diretamente a resolução de problemas no mundo digital e registrou o avanço do uso de inteligência artificial pelos estudantes.

Os resultados, portanto, não medem apenas o conhecimento tradicional em leitura, matemática e ciências, mas oferecem um retrato mais amplo sobre como os jovens brasileiros aprendem, utilizam tecnologia e se preparam para os desafios da vida adulta.

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