Familiares e amigos de Ruan Wilson de Lima Silva, de 15 anos, realizaram nesta terça-feira (1º) uma homenagem ao adolescente, morto após ser atropelado na Avenida Durval de Góes Monteiro, no Tabuleiro do Martins, em Maceió. A programação começou com a Missa de Sétimo Dia, na Capela Nossa Senhora das Dores, no bairro Santa Lúcia, e terminou com uma caminhada até o local do acidente.
O pai de Ruan, Pedro Wilson, participou da homenagem e voltou a pedir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. Emocionado, ele afirmou que pretende continuar acompanhando a investigação.
“Eu não vou desistir, eu não vou descansar”, declarou Pedro Wilson durante a homenagem.
Os participantes usaram camisas com a fotografia do adolescente e carregaram cartazes pedindo justiça. Depois da celebração religiosa, o grupo seguiu em caminhada até o trecho da Avenida Durval de Góes Monteiro onde ocorreu o atropelamento.
Adolescente morreu após ser atropelado
O acidente aconteceu na noite de 25 de agosto, na parte alta de Maceió. Ruan estava de bicicleta quando foi atingido por um carro. Ele sofreu ferimentos graves, foi socorrido e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas morreu durante a madrugada do dia seguinte.
Segundo informações reunidas pela imprensa a partir de testemunhos, o adolescente estaria atravessando a via pela região de uma faixa de pedestres. Algumas testemunhas também relataram que o veículo estaria em velocidade elevada e que o semáforo poderia estar fechado para os veículos no momento da colisão.
A dinâmica, contudo, ainda não foi definitivamente estabelecida pela investigação.
Polícia já ouviu seis testemunhas
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Trânsito da Capital, sob responsabilidade do delegado Carlos Reis.
Até o início desta semana, a Polícia Civil havia ouvido seis testemunhas, além de familiares da vítima. Também foram solicitadas imagens de câmeras de segurança instaladas em imóveis próximos ao local do acidente.
Entre as pessoas ouvidas estão trabalhadores que estavam na região no momento do atropelamento. Depoimentos apontaram que o veículo teria realizado manobras consideradas arriscadas antes da colisão, informação que ainda será confrontada com outros elementos da investigação.
A polícia também pretende analisar as imagens para tentar determinar a velocidade do veículo, a trajetória seguida pelo carro e a posição de Ruan no momento do impacto.
Motorista deverá prestar novos esclarecimentos
O motorista envolvido no acidente é Niraldo Paulo Marcelino. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a Polícia Civil pretendia ouvi-lo no decorrer desta semana para confrontar sua versão com os depoimentos já obtidos e com as imagens solicitadas.
Em boletim de ocorrência registrado na madrugada de 26 de agosto, o motorista afirmou que não teria visto o adolescente antes da colisão. Segundo o relato, o trecho estaria escuro e ele não teria percebido Ruan atravessando a via.
A defesa do condutor, representada pelo advogado Luiz Lessa, pediu cautela na divulgação das informações e contestou algumas versões que circulavam sobre o acidente.
O advogado afirmou que ainda não seria possível concluir, naquele momento, se Ruan estava ou não exatamente na faixa de pedestres ou qual era a situação do semáforo. Também negou que existisse informação confirmada de que o motorista estivesse embriagado.
Polícia apura possível excesso de velocidade
Apesar das divergências sobre a dinâmica, informações divulgadas pela Polícia Civil indicaram que uma das linhas investigativas considera a possibilidade de excesso de velocidade.
Depoimentos colhidos pelos investigadores teriam relatado manobras arriscadas realizadas pelo carro antes do atropelamento. A hipótese, porém, ainda depende da análise técnica e do cruzamento das diferentes provas reunidas no inquérito.
Por isso, não é possível afirmar neste momento qual era a velocidade do veículo ou se o motorista avançou o sinal vermelho.
Motociclista também ficou ferido
Um motociclista também se envolveu no acidente e sofreu escoriações leves. Segundo a Polícia Militar, ele teria colidido na traseira do carro envolvido no atropelamento.
O motociclista foi atendido pelo Samu e levado ao HGE. O motorista do automóvel e a passageira não ficaram feridos e foram acompanhados por policiais até a Central de Flagrantes para o registro da ocorrência.
Ruan era estudante e praticava jiu-jítsu
A morte provocou comoção entre familiares, amigos e colegas de escola.
Ruan era estudante e praticava jiu-jítsu de forma amadora, seguindo uma ligação com o esporte mantida pelo pai, Pedro Wilson, que é atleta da modalidade e lutador de MMA. Amigos também o descreviam como um jovem tranquilo, brincalhão e querido.
O adolescente também era conhecido pelo apelido de “Cachinhos” e tinha interesse por desenho.
O corpo foi velado e sepultado em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, em 27 de agosto. O sepultamento também foi marcado por homenagens e pedidos de justiça.
Família cobra esclarecimentos sobre a ocorrência
Desde os primeiros dias após a morte, Pedro Wilson vem cobrando uma investigação detalhada. Durante o sepultamento, o pai questionou o fato de o motorista permanecer em liberdade e pediu providências às autoridades.
Na homenagem desta terça-feira, o tom foi novamente de cobrança, mas também de preservação da memória do adolescente.
A família reuniu pessoas próximas para prestar homenagem a Ruan e pedir que a investigação esclareça todos os pontos ainda sem resposta.
Investigação ainda não foi concluída
O inquérito continua em andamento. A Polícia Civil ainda precisa reunir os depoimentos, imagens de câmeras de segurança e demais elementos técnicos para concluir a reconstrução da colisão.
Também serão confrontadas as diferentes versões apresentadas desde o acidente. De um lado, testemunhas relatam velocidade elevada e possível avanço de sinal; de outro, o motorista afirma que não viu Ruan e sua defesa contesta conclusões antecipadas sobre a dinâmica da colisão.
Até o momento, não há conclusão definitiva da Polícia Civil sobre eventual responsabilidade criminal do motorista.
A investigação deverá esclarecer não apenas como ocorreu o atropelamento, mas também as condições da via, a sinalização, a posição do adolescente e do veículo e os fatores que contribuíram para a colisão.
Para a família, enquanto essas respostas não chegam, a promessa permanece: “Eu não vou desistir, eu não vou descansar.”

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