Uma jovem de 18 anos teve a cabeça raspada após não conseguir pagar uma conta de aproximadamente 60 mil baht, valor equivalente a cerca de R$ 10 mil, em um bar do distrito de Pinklao, em Bangcoc, na Tailândia. O episódio ocorreu em 25 de agosto e ganhou repercussão nas redes sociais depois que imagens da jovem sendo raspada foram divulgadas.
A situação passou a ser investigada depois que a jovem, identificada publicamente apenas pelo pseudônimo Muay, procurou a polícia em 28 de agosto, acompanhada da mãe, e apresentou uma denúncia contra o estabelecimento. Segundo os relatos divulgados à imprensa, a conta correspondia a mais de 200 bebidas consumidas no local.
O caso envolve versões diferentes sobre o que ocorreu no momento da cobrança. A jovem afirma que foi pressionada a aceitar a raspagem do cabelo, enquanto o gerente sustenta que ela e a mãe concordaram com um acordo para utilizar o cabelo como forma de compensação parcial da dívida.
Vídeo mostra raspagem do cabelo
As imagens que viralizaram mostram a jovem sentada enquanto um homem utiliza uma máquina elétrica para cortar e raspar seu cabelo. Antes da raspagem, ela teria assinado um documento apresentado como um contrato de compra do cabelo.
Segundo informações divulgadas por veículos que acompanharam o caso, o acordo previa que o cabelo, com cerca de 60 centímetros, seria avaliado em 3 mil baht e descontado da dívida do bar.
No vídeo, o homem responsável pela raspagem aparece afirmando que não estaria se aproveitando da situação e que o valor corresponderia ao preço de mercado do cabelo. Ainda assim, a jovem posteriormente questionou as condições em que o documento foi assinado.
Jovem diz que não sabia que ficaria completamente careca
A jovem e a mãe contestam a versão de que houve consentimento pleno para a raspagem completa.
Segundo a mãe, o bar inicialmente teria proposto que a filha trabalhasse como faxineira para quitar parte da dívida. Posteriormente, teria surgido a alternativa de utilizar o cabelo para reduzir o valor cobrado.
A mãe afirmou ainda que não sabia que todo o cabelo da filha seria raspado. A jovem também relatou ter sido segurada pelo braço e empurrada pelos funcionários, alegação que o gerente nega.
Gerente admite que agiu por impulso e pede desculpas
Após a repercussão do caso, o estabelecimento apresentou uma versão à ativista tailandesa Chalida Phalamat, conhecida como “Ton Aor Pen Nueng”, responsável por levar a história às redes sociais.
Segundo relatos publicados sobre o caso, o bar reconheceu que o gerente agiu de forma impulsiva e exagerada ao decidir pela raspagem e posteriormente pediu desculpas pela condução da situação e pela divulgação das imagens.
O estabelecimento também afirmou que o cabelo teria sido destinado a doação, embora as reportagens não tenham identificado uma instituição específica que tenha recebido o material.
Conta teria chegado a 60 mil baht
O valor da conta é outro ponto central do caso. O estabelecimento afirma que a jovem acumulou aproximadamente 60 mil baht em consumo durante a noite.
A cobrança incluiria bebidas compradas para os chamados hosts, profissionais que trabalham em bares desse modelo de entretenimento. Segundo a imprensa local, teriam sido mais de 200 bebidas registradas na conta.
A jovem, por sua vez, admitiu que entrou no estabelecimento utilizando uma identificação alterada. Segundo as reportagens, ela teria modificado a data de nascimento para conseguir entrar no local, já que a legislação tailandesa proíbe a venda de bebidas alcoólicas a pessoas com menos de 20 anos.
Idade também levantou questionamentos
Embora tenha sido identificada nas reportagens como tendo 18 anos, a jovem estava abaixo da idade legal para compra de bebidas alcoólicas na Tailândia.
A legislação do país estabelece que a venda de bebidas alcoólicas para pessoas menores de 20 anos é proibida. As autoridades também reforçam que estabelecimentos devem verificar a identidade e a idade dos clientes.
Esse aspecto pode levar a investigações sobre a entrada e o atendimento da jovem no estabelecimento, além das circunstâncias envolvendo a cobrança da conta e a raspagem do cabelo.
Jovem também é investigada por conta não paga
Depois do episódio, a mulher foi levada a uma delegacia, onde o estabelecimento apresentou uma denúncia relacionada ao não pagamento da conta.
Posteriormente, em 28 de agosto, ela retornou à Bang Yi Khan Police Station, desta vez acompanhada da mãe, para apresentar sua própria queixa contra o gerente e funcionários do bar.
O caso passou, assim, a envolver duas questões distintas: a cobrança de uma dívida que o bar afirma não ter sido paga e a investigação sobre a maneira como a jovem foi submetida à raspagem do cabelo.
Ativista questiona uso de “justiça pelas próprias mãos”
Chalida Phalamat afirmou que entende a preocupação do estabelecimento com o prejuízo financeiro, mas classificou a raspagem da cabeça como uma reação excessiva e potencialmente ilegal.
Ela defendeu que estabelecimentos comerciais recorram às autoridades quando houver suspeita de fraude ou de consumo sem pagamento, em vez de aplicar algum tipo de punição por conta própria.
A ativista também pediu que o Ministério do Desenvolvimento Social e Segurança Humana da Tailândia acompanhe o caso e avalie a situação da jovem.
Caso está sob investigação
A Polícia da Tailândia deverá avaliar as versões apresentadas pela jovem, pela família e pelo estabelecimento, além das imagens que registraram o episódio.
Também será necessário esclarecer em que circunstâncias o contrato foi assinado e se houve coação ou consentimento válido para a retirada do cabelo. A definição de eventual responsabilidade criminal dependerá da investigação oficial.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.
O episódio provocou forte repercussão nas redes sociais justamente por colocar em lados opostos a alegação de uma dívida não paga e a reação adotada pelo estabelecimento.
O ponto central ainda está em apuração: a jovem admite que não tinha dinheiro para quitar a conta, mas contesta ter concordado livremente com a raspagem integral do cabelo; o bar sustenta que houve um acordo para compensar parte da dívida.

Deixe um comentário