quarta-feira , 26 agosto 2026
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Operação Repulsa mira grupo ligado ao Comando Vermelho em Maceió e região

Ação integrada cumpre 20 mandados em Maceió, Marechal Deodoro e Paripueira; investigação aponta atuação de organização no tráfico de drogas e porte ilegal de armas

Reprodução

Uma operação integrada das forças de segurança de Alagoas e do Ministério Público Estadual foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (26) para desarticular uma organização criminosa apontada pelas autoridades como ligada ao Comando Vermelho (CV). A ofensiva, denominada Operação Repulsa, ocorre em Maceió, Marechal Deodoro e Paripueira.

Ao todo, a 17ª Vara Criminal da Capital autorizou 20 medidas judiciais, sendo cinco mandados de prisão, 14 de busca e apreensão e uma medida cautelar. Até as primeiras horas da operação, dois alvos haviam sido localizados e presos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades.

A investigação aponta que o grupo teria atuação concentrada no Benedito Bentes, na parte alta de Maceió, além de presença em outras áreas da capital e nos dois municípios da Região Metropolitana. Os suspeitos são investigados por crimes relacionados ao tráfico de drogas e ao porte ilegal de arma de fogo.

Investigação identificou estrutura de abastecimento de drogas

Segundo as forças de segurança, o trabalho investigativo permitiu identificar a estrutura utilizada pela organização para o abastecimento de entorpecentes na região.

As apurações foram conduzidas de forma integrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), com apoio da Chefia de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública, da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar e do 5º Batalhão da PM.

Os mandados foram distribuídos entre diferentes endereços relacionados aos investigados. A operação busca apreender documentos, equipamentos, armas, drogas e outros elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.

Grupo é apontado como ligado ao Comando Vermelho

De acordo com as informações divulgadas pela Segurança Pública, a organização investigada possui ligação com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.

As autoridades informaram ainda que, segundo os elementos reunidos na investigação, lideranças relacionadas ao grupo estão atualmente presas ou foragidas no Rio de Janeiro, estado apontado como origem da facção.

A identificação de eventuais lideranças e a definição do papel de cada investigado, contudo, ainda dependem do avanço das apurações e da análise das provas reunidas durante a operação.

Operação mobiliza grande efetivo

A ofensiva mobilizou equipes de diferentes unidades da segurança pública.

Pela Polícia Militar, participam agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Batalhão de Polícia de Choque, ROTAM, RAIO, 5º BPM, 4º BPM, 12º BPM, Batalhão de Polícia Ambiental, Batalhão de Polícia Rodoviária e Batalhão de Polícia de Trânsito.

A Polícia Civil atua por meio de equipes da DRACCO, enquanto o Departamento Estadual de Aviação (DEA) presta apoio aéreo às diligências.

A utilização de diferentes unidades faz parte da estratégia adotada para cumprir simultaneamente as ordens judiciais em municípios distintos.

Benedito Bentes aparece como principal área de atuação

O Benedito Bentes é apontado pelas autoridades como uma das principais áreas de atuação da organização investigada.

O bairro já foi alvo de outras operações contra grupos envolvidos com tráfico de drogas e organizações criminosas. Em 2025, por exemplo, o MPAL e a SSP deflagraram a Operação Comando Vermelho 2, que cumpriu 50 mandados de prisão e 34 de busca e apreensão em Maceió, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Satuba. Na ocasião, as investigações também apontavam atuação de facções ligadas ao tráfico e a disputas territoriais.

Em março de 2026, outra ação integrada, a Operação Cenere, também teve como alvo uma organização criminosa com atuação em Maceió. Foram expedidos 76 mandados judiciais, incluindo prisões, buscas e medidas cautelares.

Os casos são investigações distintas e não significam, por si só, que os mesmos suspeitos estejam envolvidos nas operações anteriores.

Investigação integra estratégia contra facções

O diretor da DRACCO, delegado Igor Diego, afirmou que a Operação Repulsa integra uma estratégia permanente de combate às organizações criminosas no estado e faz parte do calendário da Renorcrim, iniciativa do Ministério da Justiça voltada ao enfrentamento do crime organizado.

Segundo o delegado, o objetivo é manter a pressão sobre grupos que atuam na distribuição de drogas e em outras atividades criminosas em Alagoas.

O trabalho de inteligência tem papel central nesse tipo de investigação, especialmente para identificar a estrutura dos grupos, seus integrantes, formas de financiamento e pontos utilizados para armazenamento e distribuição de entorpecentes.

Prisões ainda podem aumentar

Até a atualização inicial divulgada nesta quarta-feira, dois dos cinco alvos de prisão haviam sido presos. As forças de segurança continuam as diligências para localizar os demais investigados.

O cumprimento das ordens de busca também poderá resultar em novas prisões em flagrante, caso sejam encontrados materiais ou situações que configurem crime durante as diligências.

Os suspeitos são considerados investigados e não condenados. A responsabilidade individual por eventuais crimes deverá ser analisada pela Justiça a partir das provas reunidas no procedimento.

População pode colaborar com informações

A Secretaria de Segurança Pública reforça que a população pode contribuir com informações sobre atividades criminosas por meio do Disque-Denúncia 181.

O serviço permite o envio de denúncias de forma anônima, com preservação da identidade do denunciante.

A Operação Repulsa representa mais uma ofensiva das forças de segurança contra organizações criminosas que atuam na Região Metropolitana de Maceió. A expectativa agora é de que a análise do material apreendido ajude a esclarecer a dimensão da estrutura investigada e o papel de cada suspeito no esquema.

Até o momento, 20 ordens judiciais foram expedidas e dois suspeitos haviam sido presos, enquanto as equipes seguem em campo para cumprir as demais determinações.

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