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Tartaruga-verde de 1,2 metro é resgatada após ficar presa em curral de pesca em Ipioca

Animal foi encontrado por banhistas durante a maré baixa, avaliado por especialistas e devolvido ao mar após ser identificado

Foto: Instituto Biota

Uma tartaruga-verde com aproximadamente 1,20 metro de comprimento foi resgatada nesta terça-feira (11) após ficar presa em um curral de pesca na região de Ipioca, em Maceió. O animal foi encontrado por banhistas durante a maré baixa, que acionaram uma equipe do Instituto Biota para realizar o atendimento.

Quando os profissionais chegaram ao local, a tartaruga estava retida na estrutura utilizada para a atividade pesqueira. Após a avaliação, não foram identificados ferimentos aparentes e o animal apresentava boas condições para retornar ao ambiente natural.

Animal foi retirado com segurança

A equipe realizou a retirada da tartaruga do curral e fez uma avaliação das condições físicas do animal antes da soltura.

Como parte do procedimento de monitoramento, a tartaruga recebeu anilhas de identificação. A marcação permite que animais sejam reconhecidos caso sejam encontrados novamente durante ações de monitoramento, resgates ou pesquisas.

O trabalho de identificação é importante para reunir informações sobre a movimentação e a ocorrência das tartarugas marinhas ao longo do litoral.

Após o atendimento, o animal foi levado para uma área com maior profundidade e devolvido ao mar.

Tartaruga-verde tem comportamento costeiro

A espécie encontrada em Ipioca é conhecida cientificamente como Chelonia mydas, também chamada de tartaruga-aruanã.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a tartaruga-verde possui distribuição ampla pelos oceanos tropicais e temperados e apresenta comportamento particularmente associado a ambientes costeiros.

No Brasil, a espécie utiliza diferentes áreas ao longo do ciclo de vida, incluindo regiões de alimentação e reprodução. As principais áreas brasileiras de desova estão em ilhas oceânicas, como Trindade, Atol das Rocas e Fernando de Noronha.

Isso significa que a presença desses animais no litoral alagoano faz parte da distribuição natural da espécie, mesmo quando o indivíduo encontrado não está necessariamente em uma área de reprodução.

Espécie é considerada quase ameaçada no Brasil

O estado de conservação da tartaruga-verde melhorou nas últimas décadas devido às ações de proteção e pesquisa realizadas no Brasil. Atualmente, o ICMBio classifica a espécie como Quase Ameaçada (NT) no país, enquanto internacionalmente ela permanece classificada como Em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Apesar dos avanços, a espécie ainda enfrenta ameaças relacionadas às atividades humanas. Entre os riscos estão a captura incidental em pescarias, a poluição dos oceanos e a ingestão de resíduos.

Estudos do ICMBio já apontaram a interação com atividades pesqueiras como um fator relevante de mortalidade de tartarugas-verdes, especialmente em razão do risco de afogamento após capturas incidentais.

Conservação depende também da população

O trabalho de resgate realizado em Ipioca também destaca a importância da participação da população na proteção da fauna marinha.

Neste caso, os banhistas que encontraram o animal preso na estrutura acionaram profissionais especializados, evitando uma tentativa de retirada sem conhecimento técnico.

A orientação para situações semelhantes é não tentar manipular o animal por conta própria. Tartarugas marinhas podem apresentar comportamento defensivo quando estão assustadas ou debilitadas, além de existir risco de causar lesões ao animal durante uma retirada inadequada.

O mais indicado é acionar equipes especializadas em fauna marinha para avaliar a situação e definir o procedimento adequado.

Resgate termina com retorno ao oceano

Após ser retirada do curral, identificada e avaliada, a tartaruga foi conduzida até uma região com profundidade suficiente para a soltura.

O animal foi então devolvido ao mar e seguiu novamente pelo litoral.

O resgate reforça a importância do monitoramento da fauna marinha em áreas costeiras de Maceió e da atuação conjunta entre instituições de conservação e a população para reduzir os riscos enfrentados pelas tartarugas marinhas.

No caso registrado em Ipioca, a ausência de ferimentos aparentes permitiu que o animal retornasse rapidamente ao ambiente natural.

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