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Alagoas registra 10 feminicídios e 58 tentativas no primeiro semestre de 2026; casos tentados seguem em alta

Dados do Sinesp apontam aumento de 61,11% nas tentativas de feminicídio em relação ao mesmo período de 2025. Especialistas alertam que avanço dos casos evidencia a necessidade de fortalecer a rede de proteção às mulheres.

Foto: Arquivo/EBC

Alagoas registrou 10 vítimas de feminicídio e 58 vítimas de tentativa de feminicídio entre janeiro e junho de 2026, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento mostra que, embora os feminicídios consumados tenham apresentado redução de 16,67% em comparação com o primeiro semestre de 2025, as tentativas cresceram 61,11%, indicando um cenário de violência de gênero que continua preocupante.

Os números acompanham uma tendência apontada pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo revela que Alagoas registrou aumento dos indicadores relacionados à violência contra a mulher ao longo de 2025, mesmo em um contexto de redução das mortes violentas no estado e no país.

Segundo o Anuário, Alagoas contabilizou 211 tentativas de homicídio contra mulheres em 2025, frente a 183 casos em 2024, um crescimento de aproximadamente 15,2%. Entre essas ocorrências, as tentativas classificadas como feminicídio passaram de 71 para 73 registros, elevando a taxa estadual de 4,3 para 4,4 casos por 100 mil mulheres.

O levantamento ainda mostra que 34,6% das tentativas de homicídio contra mulheres registradas no estado foram enquadradas como tentativa de feminicídio, reforçando que uma parcela significativa da violência letal contra mulheres está diretamente ligada à violência de gênero.

Outro dado considerado alarmante pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é que uma das vítimas de feminicídio registradas em Alagoas possuía medida protetiva de urgência ativa, evidenciando que, mesmo com proteção judicial, ainda existem falhas na prevenção desses crimes. Em âmbito nacional, o Anuário também aponta que dezenas de mulheres foram assassinadas apesar de estarem amparadas por medidas protetivas, reforçando a necessidade de ampliar a efetividade dessas ações.

Municípios concentram registros

No primeiro semestre de 2026, Maceió liderou o número de feminicídios consumados em Alagoas, com quatro casos. Em seguida aparecem Arapiraca, com dois registros, além de Igreja Nova, Jequiá da Praia, São Brás e São Miguel dos Campos, com um caso cada.

Nas tentativas de feminicídio, a capital também concentrou o maior número de ocorrências, com 11 registros. Na sequência aparecem Anadia, Arapiraca, Coruripe e Santana do Ipanema, com três casos cada.

Também houve registros em Água Branca, Jequiá da Praia, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar, Paripueira, Rio Largo, São Miguel dos Campos, Boca da Mata, Branquinha, Cajueiro, Craíbas, Delmiro Gouveia, Dois Riachos, Ibateguara, Igreja Nova, Joaquim Gomes, Junqueiro, Maravilha, Marechal Deodoro, Murici, Olivença, Penedo, Porto Calvo, São José da Laje, Taquarana, Teotônio Vilela, Traipu e Viçosa.

Cenário nacional

Em todo o Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública contabilizou 741 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda nacional, especialistas destacam que os indicadores continuam elevados e que o crescimento das tentativas de feminicídio demonstra a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção da violência, ao atendimento das vítimas e ao combate à impunidade.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública reforça que o enfrentamento da violência contra a mulher depende da integração entre forças de segurança, Ministério Público, Poder Judiciário, assistência social e serviços especializados de acolhimento. A entidade também destaca que os dados divulgados pelo Sinesp referentes a junho de 2026 ainda podem sofrer atualização conforme o envio de novas informações pelo Estado de Alagoas.

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