quarta-feira , 22 julho 2026
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Nem todo alimento proteico é saudável: especialistas alertam para armadilha dos ultraprocessados ricos em proteína

Produtos enriquecidos com proteína conquistaram espaço nas prateleiras, mas nutricionistas explicam que o teor proteico, sozinho, não garante uma alimentação saudável

Imagem: Reprodução/ TNH1

Nos últimos anos, os alimentos enriquecidos com proteína deixaram de ser exclusivos de academias e lojas de suplementos para ocupar espaço de destaque nos supermercados. Hoje é comum encontrar iogurtes, bebidas lácteas, chocolates, barras de cereal, biscoitos, sorvetes, sobremesas e até pizzas com o selo “high protein” ou “rico em proteínas”. A estratégia acompanha o crescente interesse da população por uma alimentação voltada ao ganho de massa muscular, emagrecimento e bem-estar.

Entretanto, especialistas em nutrição alertam que o consumidor precisa ir além do destaque estampado na embalagem. Embora a proteína seja um nutriente essencial para o funcionamento do organismo, isso não significa que todo alimento proteico seja automaticamente saudável.

Proteína é importante, mas não faz milagres

As proteínas desempenham funções fundamentais no organismo. Elas participam da formação e recuperação dos músculos, da produção de hormônios, enzimas e anticorpos, além de contribuírem para a manutenção da pele, cabelos, unhas e diversos tecidos do corpo.

Outro benefício bastante conhecido é o aumento da saciedade. Dietas com quantidade adequada de proteínas costumam ajudar no controle do apetite, fator que explica parte da popularidade desses produtos entre pessoas que desejam emagrecer.

No entanto, nutricionistas destacam que a qualidade do alimento deve ser avaliada como um todo.

O problema está nos ultraprocessados

Grande parte dos alimentos comercializados como “proteicos” pertence à categoria dos ultraprocessados.

Mesmo contendo uma quantidade elevada de proteína, muitos desses produtos também apresentam altos teores de açúcares adicionados, sódio, gorduras saturadas, adoçantes artificiais, aromatizantes, corantes, espessantes e conservantes.

Segundo especialistas, o enriquecimento com proteína não elimina esses componentes nem reduz seus possíveis impactos quando consumidos em excesso.

Em outras palavras, um chocolate proteico continua sendo um chocolate; um sorvete proteico continua sendo um sorvete. A presença de proteína não transforma automaticamente esses alimentos em opções ideais para o consumo diário.

O marketing pode induzir o consumidor

A popularização das dietas ricas em proteínas fez com que a indústria alimentícia investisse fortemente nesse mercado.

Expressões como “high protein”, “fitness”, “zero açúcar”, “sem culpa” e “rico em proteínas” costumam transmitir a impressão de que determinado produto é mais saudável, mesmo quando sua composição nutricional apresenta diversos ingredientes típicos dos ultraprocessados.

Especialistas orientam que o consumidor não se deixe levar apenas pelas alegações presentes na parte frontal da embalagem.

A recomendação é observar atentamente a lista de ingredientes e a tabela nutricional.

Como identificar um alimento realmente saudável

Ao escolher um produto, nutricionistas recomendam considerar alguns aspectos importantes:

  • Quantidade de proteína por porção;
  • Teor de açúcar adicionado;
  • Quantidade de sódio;
  • Presença de gorduras saturadas;
  • Número de ingredientes utilizados na fabricação;
  • Existência de corantes, aromatizantes, emulsificantes e conservantes.

De forma geral, quanto menor e mais simples for a lista de ingredientes, maior tende a ser o grau de processamento do alimento.

Fontes naturais continuam sendo a melhor escolha

Embora os produtos enriquecidos possam ser úteis em situações específicas, especialistas afirmam que a melhor forma de atingir a necessidade diária de proteínas continua sendo por meio dos alimentos naturais ou minimamente processados.

Entre as principais fontes estão:

  • Ovos;
  • Carnes bovinas, suínas e de aves;
  • Peixes;
  • Leite e derivados;
  • Queijos;
  • Iogurte natural;
  • Feijão;
  • Lentilha;
  • Grão-de-bico;
  • Ervilha;
  • Soja e derivados.

Além de fornecerem proteínas de qualidade, esses alimentos oferecem vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para a saúde.

Nem todo mundo precisa consumir mais proteína

Outro ponto frequentemente ignorado é que a necessidade de proteína varia conforme fatores como idade, peso, nível de atividade física, estado de saúde e objetivos individuais.

Atletas e pessoas em programas específicos de treinamento podem demandar uma ingestão maior do nutriente. Já indivíduos sedentários ou sem indicação clínica geralmente conseguem atingir suas necessidades apenas com uma alimentação equilibrada.

O consumo exagerado de suplementos ou alimentos hiperproteicos sem orientação profissional não traz benefícios adicionais para a maioria das pessoas e pode resultar em ingestão calórica superior ao necessário.

Alimentação saudável vai além de um único nutriente

Especialistas reforçam que nenhum alimento deve ser considerado saudável apenas porque possui mais proteína.

Uma alimentação equilibrada depende do conjunto da dieta, incluindo variedade de frutas, verduras, legumes, cereais integrais, proteínas de boa qualidade, gorduras saudáveis e hidratação adequada.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, independentemente da quantidade de proteína presente neles.

A principal orientação é simples: antes de colocar um produto no carrinho, vale dedicar alguns segundos para ler o rótulo. Em muitos casos, o alimento mais saudável não é aquele que exibe o maior destaque para a proteína na embalagem, mas sim aquele que apresenta uma composição mais natural e equilibrada.

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