O filho do secretário de Estado da Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, permanece ocupando um cargo comissionado no Governo de Alagoas mesmo após ser citado em relatório da Polícia Federal como possível interposta pessoa (“laranja”) em uma investigação que apura um suposto esquema de corrupção e ocultação patrimonial envolvendo recursos públicos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Levantamento realizado no Portal da Transparência do Estado aponta que Gustavo Pontes de Miranda Oliveira Filho continua vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri), onde exerce o cargo de superintendente de Pesca e Aquicultura. Conforme os dados disponíveis, ele recebeu R$ 7.055,87 líquidos referentes à folha salarial de junho de 2026.
A permanência no cargo ocorre enquanto seu nome aparece em documentos produzidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Estágio IV, investigação que apura um suposto esquema de desvio de aproximadamente R$ 100 milhões de recursos destinados à saúde pública de Alagoas.
PF aponta suspeita de ocultação de patrimônio
Segundo o relatório policial, os investigadores identificaram indícios de que bens de elevado valor teriam sido registrados em nome do filho do secretário, embora a renda e a capacidade financeira declaradas por ele fossem consideradas incompatíveis com o patrimônio adquirido.
O principal bem citado é um imóvel localizado em Porto de Pedras, na Rota Ecológica dos Milagres. Conforme a investigação, o contrato particular previa a compra da propriedade por cerca de R$ 5,7 milhões, tendo Gustavo Pontes Filho como comprador formal.
Entretanto, de acordo com a Polícia Federal, o imóvel foi posteriormente registrado em cartório por aproximadamente R$ 400 mil, diferença que passou a ser analisada pelos investigadores como possível indício de subavaliação patrimonial.
Imóvel passou a funcionar como pousada
As investigações também apontam que, pouco tempo após a aquisição, o imóvel passou a operar comercialmente como uma pousada.
Inicialmente o empreendimento funcionou sob a marca Rancho Luar e, posteriormente, passou a utilizar o nome Reserva Tatuamunha, mantendo o mesmo sócio-administrador.
Segundo a Polícia Federal, a utilização comercial da propriedade reforçou a necessidade de aprofundamento das investigações sobre a origem dos recursos empregados na aquisição do imóvel.
Transferências chamaram atenção dos investigadores
Outro ponto destacado pela investigação envolve a forma de pagamento da propriedade.
O contrato previa parcelas mensais superiores a R$ 154 mil. Durante a análise de arquivos eletrônicos apreendidos, os investigadores localizaram comprovantes de transferências destinadas à empresa responsável pela venda do imóvel.
Entre os pagadores identificados aparecem empresários ligados à CHMMED Produtos Hospitalares, empresa fornecedora da Secretaria da Saúde que também figura entre os alvos da Operação Estágio IV.
Segundo o relatório policial, os valores transferidos coincidem com as parcelas previstas no contrato de compra e venda do imóvel, circunstância considerada relevante para a investigação.
Empresa investigada continuou recebendo recursos públicos
A investigação também destaca que a CHMMED permaneceu mantendo contratos com o Governo de Alagoas mesmo durante o avanço das apurações.
Levantamentos publicados com base em dados do Portal da Transparência indicam que a empresa recebeu dezenas de milhões de reais do Fundo Estadual de Saúde entre 2023 e 2026, período que coincide com parte dos fatos investigados pela Polícia Federal.
Nomeação ocorreu antes da operação
Outro aspecto observado é a data da nomeação do filho do secretário.
Ele foi nomeado para a função de superintendente de Pesca e Aquicultura da Seagri em novembro de 2025, poucas semanas antes da deflagração da Operação Estágio IV.
Até o momento, não há registro público de exoneração, e ele permanece exercendo normalmente a função no Executivo estadual.
Secretário voltou ao cargo após decisão do STJ
A Operação Estágio IV foi deflagrada em dezembro de 2025 e resultou no afastamento cautelar do secretário Gustavo Pontes.
Posteriormente, em fevereiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a medida de afastamento por fundamentos processuais apresentados pela defesa. A decisão não analisou o mérito das acusações nem concluiu pela inocência dos investigados.
Após a decisão judicial, o governador Paulo Dantas (MDB) reconduziu Gustavo Pontes ao comando da Secretaria de Estado da Saúde, enquanto o inquérito continua em tramitação e sob responsabilidade das autoridades competentes.
Investigações continuam
Até o momento, não há condenação judicial dos investigados. As conclusões apresentadas pela Polícia Federal integram um inquérito que segue em andamento e ainda será submetido ao contraditório, à manifestação do Ministério Público e às decisões do Poder Judiciário.
As defesas dos citados poderão apresentar suas versões durante o curso do processo, conforme garantem a Constituição Federal e o devido processo legal.
Fonte: Francês News

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