A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que pretende atingir a chamada Montanha Pickaxe, uma área altamente fortificada próxima à usina nuclear de Natanz, considerada por especialistas um dos principais pilares do programa nuclear iraniano.
Durante entrevista ao apresentador conservador Hugh Hewitt, Trump declarou que os Estados Unidos “vão destruir a Montanha Pickaxe” e afirmou que a região está sendo monitorada constantemente pelas forças americanas. As declarações ocorrem em meio ao aumento da pressão militar sobre o Irã e reacendem os temores de uma ampliação do conflito no Oriente Médio.
O que é a Montanha Pickaxe?
Localizada a aproximadamente 300 quilômetros ao sul de Teerã, a Montanha Pickaxe fica ao lado da instalação nuclear de Natanz, principal centro iraniano de enriquecimento de urânio.
Nos últimos anos, imagens de satélite e análises de especialistas em segurança internacional indicaram que o Irã construiu sob a montanha um complexo de túneis profundamente escavados na rocha. A estrutura teria sido projetada justamente para proteger equipamentos estratégicos contra bombardeios aéreos.
Embora o governo iraniano nunca tenha detalhado oficialmente o que existe no interior dessas instalações, analistas acreditam que o local possa armazenar centrífugas avançadas, componentes nucleares e estoques de urânio enriquecido, elementos considerados fundamentais para a continuidade do programa nuclear do país.
Por que os EUA consideram o local tão importante?
Desde o início do programa nuclear iraniano, Natanz é vista por governos ocidentais como uma das principais instalações capazes de ampliar o enriquecimento de urânio.
O enriquecimento desse material possui aplicações civis, como geração de energia e pesquisas científicas. No entanto, quando alcança níveis elevados, também pode ser utilizado na fabricação de armas nucleares.
O governo iraniano insiste que todo o seu programa possui objetivos exclusivamente pacíficos e afirma que respeita seus compromissos internacionais. Já Estados Unidos, Israel e parte da comunidade internacional demonstram preocupação com a possibilidade de que o país possa desenvolver capacidade militar nuclear.
Nos últimos anos, Natanz foi alvo de sabotagens, ataques cibernéticos, explosões e bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, mas parte da infraestrutura subterrânea permaneceu preservada devido ao elevado nível de proteção da região.
Os túneis podem resistir até às bombas antibunker
Um dos fatores que mais chama atenção dos especialistas é justamente a profundidade das instalações.
Segundo análises divulgadas pela Reuters, os dois grandes complexos subterrâneos existentes sob a Montanha Pickaxe podem estar localizados em uma profundidade superior à capacidade de penetração das atuais bombas antibunker americanas.
Isso significa que, mesmo utilizando o armamento mais potente disponível, não há garantia de destruição completa da estrutura subterrânea.
A bomba de 14 toneladas que pode entrar em ação
Caso os Estados Unidos decidam atacar a região, o armamento considerado mais adequado seria a GBU-57 A/B Massive Ordnance Penetrator (MOP).
Conhecida como “bomba antibunker”, ela foi desenvolvida especificamente para destruir instalações subterrâneas altamente protegidas.
Entre suas principais características estão:
- aproximadamente 13,6 toneladas de peso;
- cerca de 6 metros de comprimento;
- capacidade estimada de penetrar mais de 60 metros de solo, concreto e rochas antes da explosão;
- utilização exclusiva pelo bombardeiro furtivo B-2 Spirit, atualmente a única aeronave capaz de transportar esse armamento.
Em operações militares, várias bombas podem ser lançadas em sequência sobre o mesmo ponto para aumentar o poder de penetração e tentar alcançar estruturas ainda mais profundas.
Mesmo assim, especialistas afirmam que a profundidade dos túneis de Pickaxe pode superar a capacidade operacional da GBU-57.
Ataque pode trazer riscos além da destruição militar
Embora a GBU-57 utilize explosivos convencionais, um eventual ataque contra instalações ligadas ao programa nuclear iraniano desperta preocupação internacional.
Especialistas alertam que, dependendo do ponto atingido, poderá haver liberação de material radioativo, colocando em risco trabalhadores da instalação e regiões próximas.
Outro receio envolve as consequências diplomáticas. Analistas em segurança internacional avaliam que um ataque desse tipo poderia ampliar ainda mais o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, além de provocar impactos sobre o mercado mundial de petróleo e a estabilidade do Oriente Médio.
Imagens de satélite mostram movimentação recente
Nos últimos dias, novas imagens de satélite analisadas por empresas especializadas identificaram intensa movimentação de veículos e equipamentos nas proximidades da Montanha Pickaxe.
Segundo institutos independentes que acompanham o programa nuclear iraniano, há indícios de obras de reconstrução e reforço estrutural em áreas anteriormente atingidas por ataques.
As imagens mostram caminhões, máquinas e novas intervenções próximas às entradas dos túneis, o que reforçou as especulações de que o Irã estaria ampliando ou restaurando parte de sua infraestrutura subterrânea.
Tensão continua elevada
As declarações de Donald Trump acontecem em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Teerã.
Além das ameaças envolvendo a Montanha Pickaxe, o presidente americano afirmou que pretende manter forte pressão militar sobre o Irã e voltou a defender medidas para restringir a atuação iraniana no Golfo Pérsico. Do outro lado, autoridades iranianas reiteram que responderão a qualquer ataque contra seu território.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação a possibilidade de uma nova escalada militar envolvendo uma das regiões mais sensíveis do planeta, onde qualquer confronto direto pode gerar impactos geopolíticos e econômicos em escala global.

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