Relatório da Polícia Federal aponta que obra do Hospital Regional do Médio Sertão, em Palmeira dos Índios, foi contratada em apenas dois dias; investigação também cita supostos repasses ligados ao empresário responsável pela construção
O Hospital Regional do Médio Sertão, em Palmeira dos Índios, uma das principais obras da saúde pública estadual apresentada pelo ex-governador e pré-candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), e pelo governador Paulo Dantas (MDB), passou a integrar o conjunto de contratos analisados pela Polícia Federal na Operação Estágio IV, que investiga um suposto esquema de irregularidades envolvendo recursos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
De acordo com relatório da PF, obtido pelo portal Francês News e citado por outros veículos, um contrato emergencial de aproximadamente R$ 20 milhões para execução de serviços na unidade foi firmado em apenas 48 horas, prazo que, segundo os investigadores, é incompatível com a complexidade técnica e financeira da contratação. A rapidez do procedimento é apontada como um dos elementos que reforçam a suspeita de possível direcionamento do processo.
Segundo a investigação, a empresa NG Engenharia e Construções Ltda. venceu o processo emergencial em um intervalo de apenas dois dias entre a abertura da demanda e a formalização da contratação.
Para a Polícia Federal, embora a legislação permita contratações emergenciais em situações excepcionais, o curto período para análise técnica, apresentação de propostas e definição da empresa vencedora chama atenção diante do volume de recursos envolvidos e da dimensão da obra.
Os investigadores afirmam que esse contrato integra um conjunto de procedimentos semelhantes analisados no âmbito da Operação Estágio IV, que apura um suposto esquema de desvios na saúde pública alagoana.

O relatório da Polícia Federal também relaciona o proprietário da NG Engenharia, Luciano Neves Garcia, a movimentações financeiras consideradas relevantes para a investigação.
Segundo a PF, foram identificados repasses para Andreia Araújo Cavalcante, apontada pelos investigadores como pessoa com relação próxima ao então secretário estadual da Saúde, Gustavo Pontes. A polícia afirma que essas transferências passaram a integrar o conjunto de indícios analisados para verificar uma possível ligação entre contratos públicos e movimentações financeiras privadas.
Até o momento, a investigação não apresenta decisão judicial definitiva sobre essas movimentações, que continuam sendo objeto de apuração.

Inaugurado em dezembro de 2025, o Hospital Regional do Médio Sertão foi anunciado pelo Governo de Alagoas como uma das maiores entregas da rede estadual de saúde, ampliando a assistência para moradores do Agreste e do Sertão.
A unidade foi construída para descentralizar atendimentos de média e alta complexidade, reduzindo a necessidade de deslocamentos até Maceió e fortalecendo a rede hospitalar estadual.
Nos últimos meses, o hospital passou a ser frequentemente citado por Renan Filho em publicações nas redes sociais como uma das principais realizações de sua gestão na área da saúde.

O contrato do Hospital Regional do Médio Sertão não é o único analisado pela Polícia Federal.

A Operação Estágio IV investiga um suposto esquema de desvios estimado em cerca de R$ 100 milhões envolvendo contratos da Secretaria de Estado da Saúde firmados entre 2023 e 2025.
Entre as linhas de investigação estão suspeitas de fraudes em contratos emergenciais, direcionamento de fornecedores, empresas supostamente favorecidas, pagamentos considerados incompatíveis com os serviços executados e possíveis conflitos de interesse envolvendo agentes públicos e empresários. A operação contou com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e de órgãos de auditoria do SUS.
Até o momento, o Governo de Alagoas tem informado, em manifestações anteriores relacionadas à Operação Estágio IV, que acompanha as investigações e afirma não compactuar com qualquer irregularidade na aplicação de recursos públicos.
A investigação segue em andamento e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre os fatos apurados. Os envolvidos têm assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante todo o processo.
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