O ex-prefeito de Campo Grande (MS), Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, após complicações cardíacas. Ele estava internado na Santa Casa da capital sul-mato-grossense depois de passar mal enquanto cumpria prisão preventiva no Presídio Militar Estadual. A causa oficial da morte ainda não havia sido divulgada até a última atualização do caso.
Bernal enfrentava uma série de problemas cardíacos nos últimos dias. No início de julho, sofreu um infarto e precisou ser submetido a procedimentos para desobstrução de artérias coronárias, incluindo cateterismo, angioplastias e a implantação de stents. Após receber alta médica, retornou ao sistema prisional, mas voltou a apresentar complicações de saúde menos de 48 horas depois, sendo novamente encaminhado à Santa Casa.
Segundo informações divulgadas por sua defesa, o ex-prefeito era considerado um paciente de alto risco cardiovascular. Os advogados afirmavam que o estado de saúde dele exigia repouso e acompanhamento especializado, argumento utilizado em sucessivos pedidos de prisão domiciliar apresentados à Justiça. Apesar das alegações, o benefício foi negado poucos dias antes da nova internação.
Prisão por homicídio
Alcides Bernal estava preso desde março deste ano, quando foi acusado de matar o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em Campo Grande. Conforme a investigação, a vítima havia adquirido em leilão judicial um imóvel que anteriormente pertencia ao ex-prefeito e se dirigiu ao local para tomar posse da propriedade.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, Bernal teria ido até a residência e efetuado disparos contra Mazzini. O servidor chegou a receber atendimento de equipes de resgate, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Após o episódio, o ex-prefeito se apresentou espontaneamente às autoridades e permaneceu preso desde então.
A defesa sustentava a tese de legítima defesa, enquanto o Ministério Público apontava que o crime teria sido motivado pela inconformidade do ex-prefeito com a perda do imóvel. Em junho, a Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri e manteve a prisão preventiva do acusado.
Pedidos de liberdade negados
Antes de morrer, Bernal teve diversos recursos negados pelo Judiciário. Entre eles, um pedido de habeas corpus analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a prisão preventiva. A defesa também tentou obter prisão domiciliar humanitária, alegando que o Presídio Militar não possuía estrutura adequada para atender às necessidades médicas do ex-prefeito após os procedimentos cardíacos.
Relatórios médicos apresentados pelos advogados apontavam doença arterial coronariana grave e risco elevado de novas complicações cardiovasculares. Mesmo assim, a Justiça entendeu que não estavam presentes os requisitos legais para a substituição da prisão preventiva.
Trajetória política marcada por ascensão e controvérsias
Natural de Corumbá, Alcides Bernal construiu carreira como advogado e radialista antes de ingressar na política. Foi eleito vereador de Campo Grande por dois mandatos, deputado estadual e, em 2012, conquistou a prefeitura da capital sul-mato-grossense, encerrando um longo ciclo político que dominava o município havia mais de duas décadas.
Seu período à frente da prefeitura, entretanto, foi marcado por disputas políticas e questionamentos administrativos. Em 2014, teve o mandato cassado pela Câmara Municipal sob acusações relacionadas a contratações emergenciais. No ano seguinte, retornou ao cargo por decisão judicial e concluiu o mandato até 2016. Posteriormente, tentou a reeleição, mas não conseguiu avançar ao segundo turno.
A morte de Bernal encerra uma trajetória que alternou momentos de protagonismo político e intensas controvérsias judiciais. O processo criminal relacionado à morte de Roberto Carlos Mazzini seguia em tramitação e ainda seria analisado pelo Tribunal do Júri.

Deixe um comentário