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Senado aprova “Pix Pensão”: novo sistema permitirá cobrança automática da pensão alimentícia

Projeto segue para sanção presidencial e promete reduzir a inadimplência com transferências automáticas e bloqueio de valores em caso de falta de pagamento

Foto: CNN Brasil

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (7), o Projeto de Lei nº 4.978/2023, conhecido popularmente como “Pix Pensão”, que cria um novo mecanismo para tornar mais eficiente a cobrança da pensão alimentícia no Brasil. A proposta, aprovada de forma simbólica no plenário, já havia recebido o aval da Câmara dos Deputados e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida busca reduzir a inadimplência e facilitar o recebimento dos valores por parte dos beneficiários, principalmente nos casos em que o responsável pelo pagamento não possui vínculo formal de emprego.

Como funcionará o novo sistema

O projeto autoriza que o beneficiário solicite à Justiça, em qualquer fase do cumprimento da sentença, que o pagamento da pensão seja realizado de forma automática diretamente da conta bancária do devedor para a conta indicada pelo responsável pelo recebimento.

Na decisão judicial deverão constar informações como o valor mensal da pensão, o período de duração da obrigação, os dados das contas bancárias envolvidas e os critérios para atualização monetária do benefício.

A partir da determinação da Justiça, caberá à instituição financeira do devedor efetuar automaticamente a transferência nas datas estabelecidas, utilizando a infraestrutura do Pix automatizado.

O que acontece se não houver dinheiro na conta?

Caso o responsável pelo pagamento não tenha saldo suficiente no momento da cobrança, o banco deverá realizar tentativas de bloqueio de ativos financeiros até que o valor devido seja localizado e transferido ao beneficiário.

Além disso, quando a inadimplência persistir, os bens do devedor poderão ser tornados indisponíveis e convertidos em penhora, conforme prevê a legislação processual. A intenção é evitar que atrasos se acumulem e comprometam o sustento de crianças, adolescentes e demais beneficiários da pensão alimentícia.

Integração entre Justiça e sistema financeiro

Outro ponto importante do projeto é a ampliação da integração entre o Poder Judiciário e as instituições financeiras.

O texto determina que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) compartilhe as informações relacionadas às decisões judiciais sobre pensão alimentícia, bem como dados sobre pagamentos, cobranças e débitos existentes. A medida pretende tornar o processo mais ágil, transparente e seguro para todas as partes envolvidas.

O que muda em relação às regras atuais?

Hoje, a legislação já permite o desconto automático da pensão diretamente na folha de pagamento quando o devedor possui emprego formal.

Entretanto, nos casos em que o responsável é autônomo, empresário, profissional liberal ou não possui vínculo empregatício, o beneficiário geralmente precisa recorrer ao Judiciário sempre que ocorre um atraso no pagamento.

Com o novo modelo, a cobrança poderá acontecer de forma automática, mesmo sem desconto em folha, diminuindo a necessidade de novas ações judiciais para cada parcela não paga.

Como é definido o valor da pensão?

A pensão alimentícia continua sendo calculada com base no chamado binômio necessidade e possibilidade.

Isso significa que o juiz analisa, de um lado, as necessidades de quem recebe o benefício — como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário e lazer — e, de outro, a capacidade financeira de quem deve efetuar o pagamento.

A obrigação pode alcançar filhos menores de idade, filhos maiores que ainda dependam financeiramente dos pais — como estudantes universitários —, além de ex-cônjuges, gestantes e outros familiares previstos na legislação, desde que haja necessidade comprovada.

Objetivo é reduzir a inadimplência

O projeto é de autoria da deputada federal Tabata Amaral e foi relatado no Senado pela senadora Ana Paula Lobato. Segundo o parecer apresentado no Congresso, a automatização do pagamento deve aumentar a eficiência na execução das decisões judiciais, reduzir litígios e oferecer maior segurança jurídica para famílias que dependem da pensão alimentícia como fonte de sustento.

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