Dois peixes-bois marinhos, Netuno e Paty, morreram durante processo de reabilitação ambiental em Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas. A confirmação veio nesta terça-feira (26) pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio), que também informou o agravamento do estado de saúde de um terceiro animal, Assú, atualmente sob cuidados intensivos em Pernambuco.
As mortes dos peixes-bois ocorrem em um momento delicado para os esforços de conservação da espécie, considerada ameaçada de extinção. Os três animais estavam em processo de aclimatação no litoral alagoano, etapa anterior à reintrodução definitiva ao habitat natural.
De acordo com o ICMBio, as causas das mortes ainda são incertas, mas a principal linha de investigação aponta para uma possível contaminação ambiental de origem química. A suspeita levou à mobilização de diversas instituições para investigar o caso, incluindo a APA Costa dos Corais, o Ibama, o Centro Nacional da Biodiversidade Marinha do Nordeste e órgãos estaduais.
Assú, o único sobrevivente, apresentou sintomas graves e foi transferido com urgência para a base avançada de Itamaracá (PE), onde segue recebendo tratamento especializado.
Como medida de precaução, o recinto de aclimatação em Porto de Pedras foi temporariamente desativado até a conclusão dos estudos. A decisão visa proteger outros animais sob cuidados e evitar novas ocorrências até que a origem do problema seja identificada e controlada.
As análises laboratoriais devem investigar a presença de agentes químicos na água e no organismo dos animais, além de avaliar possíveis fontes de poluição na região, que é parte da maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil, a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais.
A morte de Netuno e Paty representa um revés importante para os programas de reintrodução de peixes-bois marinhos na natureza — iniciativa que envolve décadas de esforços científicos e logísticos.

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