Um artigo publicado neste domingo (20) pelo jornal americano The Washington Post afirma que as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, sob o comando de Donald Trump, estão tendo efeito contrário ao esperado e acabaram fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida, anunciada como retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), gerou críticas e tensão diplomática, mas também teria ampliado o apoio interno a Lula — inclusive entre setores da elite brasileira, segundo o texto.
Assinado pelo colunista de relações internacionais Ishaan Tharoor, o artigo sustenta que a tentativa de pressionar o Brasil por meio de uma tarifa de 50% sobre produtos nacionais, como aço e etanol, acabou saindo “pela culatra”. Em vez de isolar o governo brasileiro, o gesto teria consolidado a imagem de Lula como líder capaz de enfrentar pressões externas e proteger os interesses do país.
“A economia brasileira é maior e mais diversificada do que a de seus vizinhos”, escreveu Tharoor, destacando que, ao contrário de outros países da América Latina que cederam à pressão de Washington, o Brasil optou por enfrentar o conflito. Para o colunista, Lula enxergou na crise uma oportunidade de reforçar sua posição política interna e projetar liderança internacional.
O texto do Post também aponta que a escalada nas tensões entre os dois países não deve ter um desfecho próximo. A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos caminha para um impasse prolongado, com sinais de que ambas as partes devem adotar novas medidas de pressão nas próximas semanas.
Enquanto isso, no cenário doméstico, o Palácio do Planalto tem utilizado o episódio como demonstração de soberania frente ao governo Trump, que busca a reeleição nos Estados Unidos. Aliados de Lula veem na disputa um campo favorável para reforçar a imagem do presidente como defensor da democracia e da autonomia nacional, diante do que consideram uma ingerência política externa ligada ao bolsonarismo.
A retaliação de Trump gerou reação imediata do governo brasileiro, que analisa contramedidas comerciais e articula apoios em organismos multilaterais. A expectativa é de que a crise tarifária se torne também um teste para a política externa brasileira em ano eleitoral nos EUA.

Deixe um comentário