quarta-feira , 11 março 2026
Lar Política Vereador de Joinville propõe restringir migração de nordestinos e nortistas: “Vai virar um favelão”
PolíticaÚltimas notícias

Vereador de Joinville propõe restringir migração de nordestinos e nortistas: “Vai virar um favelão”

Vereador do União Brasil defendeu medida polêmica alegando sobrecarga em serviços públicos e má gestão nos estados de origem dos migrantes.

Foto: Reprodução/Redes sociais

Uma proposta apresentada pelo vereador Mateus Batista (União Brasil), de Joinville (SC), sugerindo restrições à migração de pessoas vindas do Norte e do Nordeste, causou indignação nas redes sociais e entre lideranças políticas. A ideia provocou forte repercussão por associar a chegada de migrantes à degradação urbana e sobrecarga nos serviços públicos da cidade.

Durante sessão na Câmara Municipal, na última segunda-feira (25), o parlamentar defendeu a criação de uma lei que obrigue novos moradores de Joinville a comprovar residência em até 14 dias após a mudança. Caso contrário, segundo ele, não poderiam “permanecer legalmente” na cidade — medida considerada inconstitucional por juristas e especialistas em direito público.

Em seu discurso, Batista alegou que Santa Catarina estaria arcando com um ônus duplo: contribuindo com a arrecadação federal e, ao mesmo tempo, recebendo um “fluxo migratório desordenado” de regiões que, segundo ele, são “mal administradas”. O parlamentar chegou a afirmar que esse movimento poderia “transformar Santa Catarina em um grande favelão”, mencionando especificamente o Estado do Pará, ao qual se referiu como “um lixo”.

“Enquanto Brasília suga nossos impostos e devolve menos da metade, estados mal administrados como o Pará empurram sua população pra cá. O resultado? Congestionamentos, serviços públicos sobrecarregados e aumento da desordem social”, escreveu o vereador em seu perfil no Instagram, onde recebeu apoio do deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).

O vereador afirma que se inspira em modelos internacionais, como o da Alemanha, para justificar a medida. No entanto, especialistas lembram que o direito de ir e vir é garantido pela Constituição Federal e que não cabe aos municípios legislar sobre controle migratório interno.

A proposta gerou ampla reação negativa. Nas redes sociais, usuários denunciaram o conteúdo como xenofóbico e preconceituoso. Parlamentares de diferentes regiões do país repudiaram as falas, apontando que o discurso alimenta estigmas e promove a discriminação contra brasileiros de outras regiões.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entidades de direitos humanos também se manifestaram contra a proposta, classificando-a como inconstitucional e ofensiva ao pacto federativo. Juristas reforçaram que não cabe a um município restringir o direito de brasileiros se estabelecerem livremente em qualquer parte do território nacional.

Até o momento, a Câmara de Joinville não se pronunciou oficialmente sobre o andamento da proposta. Já o vereador Mateus Batista, que integra o Movimento Brasil Livre (MBL), segue defendendo sua iniciativa como uma “resposta à desigualdade federativa”.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Secretaria de Saúde investiga caso suspeito de meningite em escola privada no Farol

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informou, no início da...

Moto roubada é recuperada durante patrulhamento no bairro Manoel Teles, em Arapiraca

Uma motocicleta com registro de roubo foi recuperada pela Polícia Militar na...

Prévia do Pinto da Madrugada altera tráfego na orla de Maceió no sábado e domingo

O tradicional desfile do Pinto da Madrugada, reconhecido como Patrimônio Imaterial da...

MP de São Paulo recebe denúncia de homofobia contra participante do BBB

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu, nesta quarta-feira (4), uma...