A série Tremembé, recém-lançada no Prime Video, tem causado controvérsia ao retratar histórias reais de detentos do presídio paulista que leva o mesmo nome. Entre os personagens, aparecem Cristian Cravinhos e Suzane von Richthofen, condenados pelo assassinato do casal Manfred e Marísia, o que levantou questionamentos sobre a forma como criminosos são representados em obras de ficção baseadas em fatos reais.
Um dos principais alvos de críticas é Cristian Cravinhos, interpretado por Kelner Macêdo, que aparece na trama vivendo um relacionamento amoroso com outro preso, Duda, papel de João Pedro Mariano. O enredo foi inspirado em relatos do jornalista e roteirista Ulisses Campbell, autor de livros sobre o sistema prisional.
Cravinhos, no entanto, contestou publicamente o retrato feito pela série. Em suas redes sociais, afirmou que a produção é “uma mentira” e que “praticamente tudo” mostrado é falso, acusando os criadores de buscarem apenas audiência.
Em resposta, Campbell publicou fotos de objetos que, segundo ele, comprovam a veracidade do romance narrado, incluindo uma carta escrita à mão e uma peça de roupa que teria pertencido ao ex-detento. “No jornalismo, um testemunho gravado não basta. É preciso apresentar provas materiais, especialmente em casos delicados”, escreveu o roteirista.
A produção também aborda episódios envolvendo Suzane von Richthofen, como os presentes enviados a ela pelo apresentador Gugu Liberato em 2015 — três máquinas de costura avaliadas em R$ 36 mil, que acabaram virando motivo de disputa entre detentas e cujo paradeiro atual é desconhecido.
Além dos envolvidos nos crimes, familiares de vítimas também reagiram. Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella Nardoni, afirmou em um post que não pretende assistir à série. “É uma história que fala da minha filha, mas reviver aquelas cenas seria devastador. Preciso cuidar da minha saúde mental”, declarou.
Ela ainda expressou preocupação com a possibilidade de a obra transformar criminosos em figuras midiáticas. “Peço responsabilidade para que esses casos não sejam tratados como entretenimento. Esses crimes não devem gerar celebridades.”
Com o debate acalorado nas redes sociais, Tremembé reacende discussões antigas sobre até onde a arte pode ir ao representar tragédias reais — e se o limite entre denúncia e espetáculo está sendo ultrapassado.

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