O que deveria ser um momento de despedida se transformou em revolta para familiares de Antônio dos Santos, de 74 anos, após o sepultamento ser adiado por conta da grande quantidade de lixo acumulado na gaveta funerária do Cemitério de Jaraguá, em Maceió.
A manhã desta terça-feira (23) foi marcada por indignação no Cemitério Mãe do Povo, localizado no histórico bairro do Jaraguá, em Maceió. Familiares de Antônio dos Santos, de 74 anos, foram surpreendidos por uma situação inaceitável: o local reservado para o sepultamento estava completamente tomado por lixo e entulhos, o que impediu a entrada do caixão e forçou o adiamento do enterro.
Segundo Ana Flávia, sobrinha do idoso, a cena foi de total descaso. “A gaveta estava entupida de lixo de vários tipos. Não era só folha ou mato, mas entulho de exumações e materiais descartados de outros sepultamentos. Não conseguimos sequer aproximar o caixão”, relatou à reportagem.
O sepultamento estava marcado para as 10h da manhã, mas a cerimônia só pôde ser iniciada cerca de uma hora e meia depois, após a chegada de máquinas e trabalhadores para fazer a remoção dos resíduos. Até esse momento, segundo Ana Flávia, a administração do cemitério chegou a sugerir que os próprios parentes realizassem a limpeza usando carrinhos de mão — o que agravou ainda mais o sentimento de indignação da família. “Pagamos o mausoléu em dia, tudo certo. E ainda nos mandam limpar o lixo do próprio cemitério?”, questionou.
Inaugurado no século 19, o Cemitério Mãe do Povo é uma das construções mais antigas da capital alagoana. O episódio desta terça-feira expõe o contraste entre sua importância histórica e a falta de estrutura e manutenção adequadas.
Em nota, a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (ALURB) afirmou que o adiamento do enterro foi necessário para evitar acidentes e garantiu que uma equipe com caçambas e máquinas foi enviada ao local para realizar um mutirão de limpeza. O órgão informou ainda que realiza serviços semanais nos cemitérios da capital com o objetivo de manter os espaços organizados e seguros para a população — o que, segundo a denúncia da família, não se refletiu no estado do cemitério neste caso.
O episódio reacende o debate sobre a dignidade no pós-vida e a necessidade de maior atenção do poder público aos espaços destinados aos sepultamentos, que devem oferecer, no mínimo, respeito às famílias enlutadas e condições mínimas de higiene e estrutura.

Deixe um comentário