O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (8), uma medida processual que permite o avanço de uma resolução destinada a restringir a capacidade do presidente Donald Trump de ordenar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização prévia do Congresso.
A votação terminou com 52 votos favoráveis e 47 contrários, resultado que só foi possível após a adesão de alguns senadores republicanos à bancada democrata. A aprovação não encerra a tramitação, mas libera o texto para uma análise mais detalhada no plenário da Casa, formada por cem parlamentares.
O movimento ocorre poucos dias depois de uma operação militar americana em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A ação, considerada inédita, reacendeu o debate sobre os limites do poder do Executivo no uso da força militar sem aval do Legislativo.
Tentativas semelhantes de conter iniciativas unilaterais do governo já haviam sido barradas no ano passado por aliados de Trump. Naquele período, os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre a Venezuela, com ataques a embarcações em áreas do Caribe e do Pacífico, o que levou parlamentares a questionarem a estratégia adotada pela Casa Branca.
Diante desse cenário, senadores passaram a apresentar propostas baseadas na Lei de Poderes de Guerra, de 1973, criada após a Guerra do Vietnã para restringir operações militares prolongadas sem consentimento do Congresso. Para os defensores da resolução, o avanço do texto representa uma tentativa de restabelecer o equilíbrio institucional na condução da política externa.
Apesar da vitória inicial, a proposta ainda enfrenta um caminho difícil. O texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também sob controle republicano, e ainda pode ser vetado pelo presidente. Para derrubar um eventual veto, seriam necessários dois terços dos votos nas duas Casas.
Mesmo assim, autores da iniciativa avaliam que parte dos republicanos pode resistir à ideia de um envolvimento militar prolongado na Venezuela. O senador Rand Paul, um dos coautores do texto, afirmou antes da votação que colegas do partido passaram a reconsiderar sua posição após os últimos acontecimentos.
O debate ganhou ainda mais força após declarações recentes de Trump defendendo o aumento do orçamento militar americano para US$ 1,5 trilhão. Parlamentares críticos apontam que ações contínuas contra interesses venezuelanos indicam um conflito mais amplo do que o governo admite.
Enquanto isso, aliados do presidente sustentam que a captura de Maduro se enquadra como uma ação de aplicação da lei, não como uma ofensiva militar formal. Maduro responde a acusações de tráfico de drogas e armas na Justiça dos Estados Unidos e nega todas as denúncias.

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