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Sem luz há quatro dias, idosas dormem na portaria de prédio no centro de São Paulo

Interrupção no fornecimento compromete mobilidade, saúde e orçamento de famílias na região central.

Lucas Perez / Uol

A interrupção no fornecimento de energia elétrica provocada por fortes ventos que atingiram São Paulo desde a última quarta-feira (10) tem gerado situações de vulnerabilidade para moradores de um prédio no bairro do Bixiga, no centro da capital, especialmente para idosos com dificuldades de locomoção.

Entre os casos mais delicados estão os das irmãs Ilizia e Helena Moreira, de 88 e 90 anos, que vivem no oitavo andar de um edifício na rua Humaitá. Sem elevador funcionando e sem previsão concreta de retorno da energia, as duas passaram a noite entre quarta e quinta-feira na portaria do prédio, por não conseguirem subir as escadas até o apartamento.

Ilizia, que tem limitações na perna esquerda, conta que havia saído para realizar um exame médico quando foi informada de que o prédio estava sem luz. A irmã, que sofre com dores na coluna, também não teria condições físicas de enfrentar os oito andares. Diante da incerteza sobre a normalização do serviço, as duas optaram por aguardar no térreo, acreditando que a situação seria resolvida em poucas horas.

Segundo a porteira Alcione Ribeiro, a concessionária chegou a indicar um prazo inicial para o restabelecimento da energia, mas a previsão foi sendo ampliada até que deixou de ser informada. Sem alternativa, na manhã de quinta-feira, as irmãs aceitaram a ajuda de vizinhos para retornar ao apartamento. Ilizia precisou ser carregada por moradores, com apoio para evitar quedas durante a subida. “Nunca imaginei passar por uma situação assim”, relatou, emocionada.

Além dos transtornos físicos, a falta de energia também trouxe preocupações práticas. Ilizia afirma estar apreensiva com o pagamento de contas e a necessidade de ir ao banco, enquanto outros moradores relatam prejuízos financeiros. No 11º andar, o taxista Raimundo Alves da Silva, de 65 anos, precisou descartar alimentos estragados e passou a comprar água e refeições fora de casa para abastecer a família. Segundo ele, os gastos extras já consumiram uma parte significativa da renda mensal.

A rotina do prédio foi profundamente afetada. Moradores relatam dificuldades para tomar banho, armazenar alimentos e circular pelo edifício. O advogado Theodósio Zabczuk, de 80 anos, que vive no primeiro andar, decidiu deixar o local temporariamente e se hospedar na casa de familiares. Para ele, a ausência de informações claras agravou a sensação de abandono. “É uma necessidade básica, e não houve explicação convincente”, afirmou.

Enquanto aguardam a normalização do serviço, os moradores seguem improvisando soluções e cobrando respostas da concessionária, em meio a um cenário de desgaste físico, emocional e financeiro provocado pelo apagão prolongado.

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