O presidente do Equador, Daniel Noboa, foi alvo de um atentado na manhã desta terça-feira (7), enquanto chegava a um evento na província de Cañar, região central do país. O governo confirmou que o carro em que o chefe de Estado estava foi atingido por tiros e pedras, mas ele saiu ileso.
De acordo com a ministra de Energia, Inés María Manzano, o ataque foi promovido por uma multidão estimada em cerca de 500 pessoas e é tratado oficialmente como uma tentativa de assassinato. Cinco suspeitos foram presos.
“Atirar contra o carro do presidente, jogar pedras, danificar patrimônio do Estado — isso é crime. Não vamos permitir isso”, declarou a ministra.
Imagens divulgadas pela Presidência mostram janelas quebradas e o para-brisa do veículo trincado. Um vídeo gravado de dentro do carro registra o momento em que manifestantes lançam pedras contra a comitiva presidencial.
Em comunicado, o governo informou que os detidos responderão pelos crimes de terrorismo e tentativa de homicídio, e confirmou o registro formal da denúncia sobre a tentativa de assassinato contra Noboa.
O episódio ocorre em meio a uma onda de protestos liderados pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se intensificaram após o governo anunciar o fim do subsídio do diesel, elevando o preço do combustível de US$ 1,80 para US$ 2,80 por galão (aproximadamente de R$ 9,60 para R$ 15).
As manifestações, iniciadas em 22 de setembro, já deixaram um morto, cerca de 150 feridos e 100 pessoas presas, segundo dados oficiais e de organizações civis. Diante da escalada de violência, Noboa decretou estado de exceção por 60 dias em 10 das 24 províncias do país.
A Conaie, no entanto, acusa o governo de repressão e uso desproporcional da força contra os manifestantes, afirmando que o decreto “militariza os territórios indígenas”. A entidade também reivindica a redução do IVA de 15% para 12%, além de maiores investimentos em saúde e educação públicas.
O presidente Noboa, por sua vez, tem classificado parte dos protestos como “atos terroristas”, afirmando que há criminosos infiltrados, inclusive ligados à quadrilha venezuelana Tren de Aragua — embora não tenha apresentado provas.
O aumento dos combustíveis é um tema recorrente de instabilidade no país. Situações semelhantes já provocaram grandes protestos em 2019 e 2022, durante os governos de Lenín Moreno e Guillermo Lasso.

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