A Polícia Civil do Ceará investiga uma página de fofoca suspeita de divulgar informações íntimas de moradores do distrito de Lagoa do Mato, em Itatira, no interior do estado. Segundo vítimas, mais de 50 pessoas tiveram dados pessoais expostos nas redes sociais, e ao menos 10 já registraram boletim de ocorrência.
De acordo com os relatos, o perfil publicava mensagens atribuídas a moradores da própria comunidade, revelando nomes e informações pessoais, como supostas traições, orientação sexual e acusações acompanhadas de ofensas. O conteúdo rapidamente se espalhou, gerando constrangimento público e abalos emocionais entre as vítimas.
Uma moradora, que preferiu não se identificar, contou à TV Verdes Mares que a exposição trouxe consequências psicológicas para diversas pessoas. Segundo ela, houve casos de crises de ansiedade e de moradores que passaram a evitar sair de casa após a repercussão das postagens. Em uma localidade pequena, o impacto foi ampliado pela rápida circulação das informações.
Os relatos indicam que pessoas citadas nas publicações passaram a ser alvo de comentários, risos e especulações em locais públicos, como mercados e praças. “Muita gente acaba acreditando no que é divulgado, mesmo sem saber se é verdade”, afirmou a vítima.
Além da divulgação do conteúdo ofensivo, as denúncias apontam que o responsável pela página cobrava valores para retirar as postagens ou revelar a suposta origem das informações. Os preços variavam entre R$ 35 e R$ 120, o que levantou suspeitas de prática de extorsão.
A situação ganhou novos desdobramentos após uma internauta afirmar que o administrador do perfil seria um homem gay. A declaração provocou uma nova onda de ataques, desta vez direcionada a membros da comunidade LGBTQIA+. Pelo menos três homens gays relataram ter sido alvo de ofensas e ameaças, e dois deles procuraram a polícia para registrar ocorrência.
“Criminoso é quem cria um perfil desse tipo, mas também quem acusa sem provas e coloca outras pessoas em risco”, afirmou uma das vítimas dos ataques recentes.
A Polícia Civil informou que a Delegacia Seccional de Canindé está responsável pela investigação e apura possíveis crimes como calúnia, difamação, injúria, extorsão e incitação ao preconceito. As autoridades reforçam que outras vítimas podem procurar a delegacia para formalizar denúncia e contribuir com o andamento do inquérito.

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