Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar metanol e outras adulterações em bebidas alcoólicas em poucos segundos. O sistema, sustentável e de alta precisão, foi apresentado em meio ao aumento de casos de intoxicação registrados no país.
De acordo com o Ministério da Saúde, até essa sexta-feira (3), foram confirmados 113 casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul notificaram os primeiros casos em investigação. No total, há 11 confirmações e 102 casos sob análise.
O estudo, financiado pelo governo estadual e pela Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos. A tecnologia utiliza Espectroscopia de Infravermelho Próximo e Infravermelho Médio, aliada à modelagem quimiométrica, dispensando o uso de reagentes e reduzindo custos. O sistema atinge 97,3% de precisão na detecção de adulterações, mede o teor alcoólico com alta confiabilidade e rastreia a origem da bebida com até 100% de acerto.
O equipamento funciona emitindo uma luz infravermelha sobre a garrafa — que pode estar lacrada —, provocando a vibração das moléculas. Um software, então, interpreta as informações coletadas e identifica qualquer substância estranha à composição original, como o metanol.
A equipe também avança no desenvolvimento de sistemas sensoriais híbridos, como narizes e línguas eletrônicas, capazes de diferenciar e quantificar múltiplos adulterantes e tipos de fraudes. Os novos estudos estão sendo conduzidos no Laboratório de Instrumentação Industrial da UEPB.

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