O astrônomo e padre Richard Anthony, indicado pelo Papa Leão XIV para dirigir a Specola Vaticana, declarou que a religião “teria de se reinventar” caso a humanidade estabelecesse contato com uma civilização extraterrestre. O novo diretor do observatório — um dos mais antigos centros de pesquisa científica do mundo — defende que fé e ciência devem caminhar juntas na compreensão do Universo.
Natural de Goa, antiga colônia portuguesa na Índia, Richard Anthony cresceu em uma família cristã e construiu carreira acadêmica sólida antes de assumir o comando do observatório. Formado em Física, é doutor pelo Instituto Max Planck, em Munique, e realizou pós-doutorado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Ele substitui o astrônomo Guy Consolmagno, que esteve à frente da Specola Vaticana desde 2015.
Anthony ingressou no observatório em 2016 e, desde então, publicou diversos artigos sobre a formação e a evolução de galáxias. Em reconhecimento à sua contribuição científica, um asteroide do cinturão entre Marte e Júpiter recebeu o nome D’Souza 27397, uma homenagem ao pesquisador.
Durante entrevista, o padre afirmou acreditar no Big Bang, mas vê o fenômeno como uma manifestação da criação divina.
“Eu acredito em um Criador benevolente. Ele está por trás de tudo”, disse o religioso.
Ele lembrou ainda que a própria teoria do Big Bang foi proposta por um sacerdote católico, o belga Georges Lemaître, em 1927.
“A teoria do Big Bang é um conceito muito católico. As ideias de Lemaître foram, na época, rejeitadas por cientistas ateus, que não queriam aceitar um Universo com começo”, destacou.
O Papa Leão XIV, que tem formação em Matemática pela Universidade Villanova, na Pensilvânia, é um entusiasta das pesquisas do observatório e defende a compatibilidade entre fé e ciência. Sob sua liderança, a Santa Sé tem reforçado o apoio às iniciativas que buscam compreender o cosmos sem abrir mão da espiritualidade.

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