A convivência forçada entre moradores e animais silvestres em áreas urbanas de Arapiraca motivou o Ministério Público de Alagoas a cobrar ações imediatas da prefeitura. Um procedimento foi aberto para fiscalizar o manejo da fauna nas margens do Riacho Piauí, onde a presença de jacarés, jibóias e capivaras se tornou frequente — e perigosa.
Quem passa pela Ladeira do Claudionor, em Arapiraca, interior de Alagoas, pode se surpreender ao avistar animais como capivaras, jibóias e até jacarés circulando livremente nas imediações do Riacho Piauí. O cenário, que mistura natureza e urbanização, tem gerado preocupações com a segurança pública e a preservação ambiental.
Diante da situação, o Ministério Público Estadual (MP-AL) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a criação e execução de uma política municipal de manejo e conservação da fauna silvestre. A iniciativa foi impulsionada não apenas pela frequência dos flagrantes, mas por denúncias graves, como a caça ilegal de jacarés por trabalhadores de obras nas margens do riacho — prática considerada crime ambiental.
Segundo o promotor Cláudio José Moreira Teles, do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente, a urgência se acentuou após o ataque de um jacaré a uma criança, registrado em março deste ano no bairro Ouro Preto. “É preciso uma resposta imediata e planejada do poder público para que esse conflito socioambiental seja solucionado com equilíbrio e responsabilidade”, afirmou.
Durante diligência na região, o MP constatou ausência de barreiras físicas para conter os animais, falta de sinalização adequada e indícios de negligência no enfrentamento do problema.
Como resposta, o órgão expediu uma recomendação oficial à Prefeitura de Arapiraca, com prazos definidos para o cumprimento de ações emergenciais:
| Ação Recomendada | Prazo |
|---|---|
| Instalação de placas de advertência e cercas | 10 dias |
| Elaboração de Plano de Manejo e Conservação da Fauna | 20 dias |
| Campanhas educativas para a população | Sem prazo fixado |
| Intensificação da fiscalização contra caça e maus-tratos | Sem prazo fixado |
A gestão municipal foi notificada no último dia 8 e deverá apresentar resposta dentro do prazo legal. Caso as determinações não sejam cumpridas, o MP poderá adotar medidas judiciais e extrajudiciais, incluindo ações por improbidade administrativa e por danos ambientais e morais coletivos.
Enquanto isso, moradores da região seguem convivendo com o risco de encontros inesperados com a fauna silvestre — num cenário que exige urgência e responsabilidade por parte do poder público.

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