A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas teve um de seus momentos mais emocionantes na noite do último sábado (2), quando a yalorixá e Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Neide Oyá d’Oxum, lançou sua nova obra “Diário de uma mãe de santo”, publicada pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. O evento, realizado na Sala Ipioca do Centro Cultural Ruth Cardoso, em Maceió, atraiu um público que lotou o espaço e transformou a solenidade em uma celebração da memória, da resistência e da espiritualidade afro-brasileira.
Em sua fala, Mãe Neide destacou que o livro nasceu como um processo de cura e autoconhecimento. “Foi uma verdadeira terapia. As mães de santo estão sempre prontas para acolher, mas também precisamos de momentos em que sejamos acolhidas”, declarou. Segundo ela, a obra traz reflexões sobre fé, identidade e os desafios diários enfrentados por mulheres negras e quilombolas.
A autora, que também assina “Wa Jeun: sabores ancestrais afro-indígenas”, explicou que seu novo trabalho convida o leitor a repensar o significado do amor. “O amor não tem cor nem gênero. É igualdade, empatia e respeito pelas diferenças”, afirmou, sob aplausos do público.
Durante a cerimônia, Mãe Neide reforçou a importância de que pessoas negras contem suas próprias histórias, para que não sejam narradas de forma distorcida. “Queremos ser vistos como realmente somos. Este livro mostra a rotina de uma mãe de santo, uma mulher que luta, acolhe e enfrenta a intolerância todos os dias”, pontuou.
O diretor-presidente da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, Mauricio Bugarim, destacou o compromisso da instituição com a valorização da cultura afro-alagoana. Ele lembrou que o órgão vem ampliando publicações sobre a resistência do povo negro, um passo fundamental para fortalecer debates sobre representatividade e educação antirracista.
Ao encerrar o evento, Mãe Neide fez questão de lembrar o simbolismo histórico de Alagoas. “Nosso estado não é apenas a terra dos Marechais, mas também de Zumbi, Dandara e Aqualtune. Somos herdeiros da liberdade”, declarou, emocionada.
Com emoção, fé e ancestralidade, o lançamento de “Diário de uma mãe de santo” reafirmou o poder da literatura como espaço de resistência e diálogo, mostrando que contar a própria história é, também, um ato de amor e liberdade.

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