quarta-feira , 11 março 2026
Lar Meio Ambiente Justiça pode obrigar Maragogi a regular uso de jet skis em praias da cidade
Meio AmbienteSegurança PúblicaÚltimas notícias

Justiça pode obrigar Maragogi a regular uso de jet skis em praias da cidade

Plano técnico de balizamento deve ser elaborado em até 90 dias para ordenar tráfego marítimo, proteger turistas e preservar a biodiversidade da APA Costa dos Corais.

Foto: Divulgação / Prefeitura de Maragogi

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra a Prefeitura de Maragogi para forçar a criação de um plano de ordenamento do tráfego náutico nas praias da cidade. A medida responde a denúncias sobre o uso descontrolado de jet skis e embarcações em áreas turísticas e ambientalmente sensíveis.

A crescente circulação desordenada de jet skis em Maragogi, no litoral norte de Alagoas, levou o Ministério Público Federal (MPF) a acionar judicialmente a Prefeitura do município. A ação, ajuizada nesta semana, exige que o governo local elabore e implemente, no prazo de 90 dias, um plano técnico de balizamento náutico, com apoio da Capitania dos Portos.

A proposta tem como foco a organização da faixa marítimo-costeira para garantir a segurança de banhistas e reduzir o impacto sobre ecossistemas da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais — considerada uma das maiores unidades de conservação marinha do país.

De autoria do procurador da República Lucas Horta, a ação também pede que a Justiça conceda uma tutela de urgência para obrigar o município a iniciar o plano imediatamente, sob pena de multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento.

As denúncias mais graves foram registradas na Praia de Antunes, onde não há qualquer delimitação entre áreas de banho e navegação, expondo turistas e moradores a riscos. A investigação, que reuniu informações do ICMBio, Capitania dos Portos e do próprio município, revelou que a ausência de fiscalização tem favorecido o uso irregular das praias e causado danos diretos ao meio ambiente.

Entre as exigências do MPF, o plano de balizamento deve prever áreas exclusivas para banho, corredores para entrada e saída de embarcações, zonas de proteção ambiental e trechos próprios para esportes náuticos. O objetivo, segundo o órgão, é promover o uso equilibrado da orla, aliando turismo, segurança e preservação.

As praias mais afetadas pela circulação irregular são São Bento, Centro, Ponta de Mangue, Barra Grande, Antunes, Bruna e Peroba. Nesses trechos, embarcações têm transitado sem restrições, comprometendo recifes de corais, pradarias marinhas e ameaçando espécies como o peixe-boi-marinho.

O MPF também destacou que a Prefeitura já havia assumido compromisso em 2024, ao aceitar uma recomendação para elaborar um plano de uso e ocupação das praias. Mesmo com prazos estendidos, nenhuma ação concreta foi tomada, o que motivou o ajuizamento da ação civil.

Além das obrigações impostas à Prefeitura, o MPF solicitou a participação da União e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no processo, além da inversão do ônus da prova — medida que transfere à administração municipal a responsabilidade de demonstrar o cumprimento das normas, em favor da coletividade.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Secretaria de Saúde investiga caso suspeito de meningite em escola privada no Farol

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informou, no início da...

Moto roubada é recuperada durante patrulhamento no bairro Manoel Teles, em Arapiraca

Uma motocicleta com registro de roubo foi recuperada pela Polícia Militar na...

Prévia do Pinto da Madrugada altera tráfego na orla de Maceió no sábado e domingo

O tradicional desfile do Pinto da Madrugada, reconhecido como Patrimônio Imaterial da...

MP de São Paulo recebe denúncia de homofobia contra participante do BBB

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu, nesta quarta-feira (4), uma...