Foto: Reprodução
O transporte da ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, ao Brasil em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) gerou polêmica e questionamentos sobre a transparência do governo federal. A operação foi classificada como confidencial, e os dados sobre os custos do voo permanecerão sob sigilo por cinco anos.
Heredia desembarcou em Brasília em 16 de abril deste ano, após receber asilo diplomático concedido pelo governo brasileiro. Ela viajou de Lima a bordo de um avião modelo E-135 Shuttle (VC-99C), acompanhada por seis militares. A missão foi tratada como uma ação de caráter reservado, de acordo com documentos acessados por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
A FAB justificou a confidencialidade com base em artigos da Lei nº 12.527/2011, alegando que os custos da operação envolvem “planos e estratégias das Forças Armadas”, o que exige restrição de acesso à informação.
O chanceler Mauro Vieira esclareceu que a decisão de realizar o transporte foi tomada por razões humanitárias. Segundo ele, Heredia havia passado por uma cirurgia complexa na coluna cervical e seu filho menor de idade ficaria sem amparo, uma vez que o marido dela, o ex-presidente Ollanta Humala, encontra-se preso. Vieira também afirmou que houve consentimento das autoridades peruanas para a retirada da ex-primeira-dama do país.
Apesar das justificativas, a operação reacendeu críticas da oposição. Parlamentares questionam os critérios adotados pelo governo ao priorizar o resgate de uma figura condenada por corrupção, enquanto brasileiros em situações de emergência no exterior têm enfrentado dificuldades para obter assistência.
O caso de Juliana Marins, brasileira que morreu após cair de uma trilha na Indonésia, foi lembrado por opositores. Na ocasião, o governo brasileiro informou que não assumiria os custos da repatriação do corpo, citando o Decreto nº 9.199/2017, que limita a ajuda consular a casos excepcionais, sem incluir despesas com funerais ou internações fora do país.
Para críticos, a falta de transparência na operação envolvendo Heredia e a disparidade no tratamento de brasileiros em situação de risco levantam questionamentos sobre os critérios adotados pelo governo para ações internacionais com uso de recursos públicos.
Nadine Heredia é casada com o ex-presidente peruano Ollanta Humala (mandato de 2011 a 2016). Ambos foram sentenciados a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, em uma investigação ligada ao escândalo da Odebrecht e ao financiamento de campanha com recursos do governo da Venezuela.

Deixe um comentário